O Hissope - Poema herói-cômico em 8 cantos

    António Dinis da Cruz e Silva

    Angelus Novus
    2008
    480 páginas
    16h 0m
    ISBN-13: 9789728827359
    Português

    Nos idos de 1768, o Deão da Sé de Elvas, José Carlos de Lara, deixa de oferecer o hissope ao Bispo, Lourenço Lencastre, como costumava. O facto provoca a ira do Bispo, que consegue que o cabido catedralício o penalize por um comportamento tão pouco respeitoso. Este episódio agitou a cidade de Elvas quando Cruz e Silva aí exercia funções de magistrado. Partindo desta "bagatela", o árcade critica, no Hissope, a vaidade clerical, o seu relaxamento moral, os seus costumes mundanos, a sua ignorância, o seu nocivo ascendente sobre determinados grupos sociais. A obra é-nos apresentada, neste livro, em edição crítica, analisando e fazendo a cartografia do amplo processo de evolução e difusão do poema. Esta edição é da responsabilidade de Ana María García Martín e Pedro Serra, ambos professores da Universidade de Salamanca.

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    Nemo Nihil16/01/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Quem é familiarizado com as epopeias clássicas de Homero, Hesíodo e Virgílio vai saborear com muitíssimo gosto toda a graça das brincadeiras de Cruz e Silva com as fórmulas herdadas dessa tradição. O Altíssimo aqui, o deus dos deuses do panteão, é o deus das bagatelas! Tudo que era solene lá, aqui será cômico, numa maravilhosa alquimia paródica. O poema é bem curtinho (aos moldes do seu modelo, "The Rape of Lock", de Alexander Pope). Hoje, no Brasil, quase todo professor, estudioso de literatura ou literato parece querer nos fazer crer que todo o legado literário do século XVIII (neoclassicismo, arcadismo) nada vale e não merece nem uma olhadinha. Os alunos, preguiçosos, normalmente aceitam isso de bom grado: "é menos coisa pra ler!", parecem pensar. E reproduzem essa postura diante do século XVIII sem jamais terem mergulhado nem a pontinha do dedão do pé nesse legado. É uma pena. Pois quando fazemos isso, irremediavelmente encontraremos muita coisa boa, muita leitura agradável, bela, engraçada, satírica, crítica. Leituras muitas vezes tão fáceis quanto divertidas. Sim! A literatura pode sim ser meramente divertida! O modernismo também não "professa" isso? Muito leitor, ingenuamente, ainda parece ver a literatura como vê a moda ou a ciência (de modo também simplista): uma era superaria-enterraria irremediavelmente a outra. O romantismo não provou definitivamente o quanto o neoclassicismo era falso e insosso? Ah! e os realismo/naturalismo não provou o quanto o romantismo era piegas, cafona e artificial? Quanto amim, prefiro passear por toda a literatura: nosso mundo acaso é melhor do que o medieval? Tem certeza?

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