Este livro me foi emprestado pela minha supervisora no meu primeiro contato com a prática clínica, em um local que se propõe a realizar majoritariamente atendimentos psicológicos breves e de apoio. A imagem que me vem à mente é a de um farol, a guiar navegantes de primeira viagem, ao lembrar da leitura que fiz.
O livro é em sua maior parte bem entendível; porém, isso não quer dizer que seja fácil identificar nos atendimentos práticos com pessoas reais todas as variáveis postas em evidência na obra. Também não é fácil saber quais técnicas utilizar em cada caso, em cada momento. Mas acho que mesmo o melhor manual da navegação não consegue dar de mão beijada todos os passos para se navegar da melhor forma.
Creio que o autor consegue se utilizar muito bem dos conhecimentos psicodinâmicos como embasamento para o desenvolvimento do livro, porém com as particularidades das psicoterapias, e não da psicanálise. Ele faz uma diferenciação muito boa dessas duas práticas ao longo da obra, falando inclusive dos possíveis prejuízos de se utilizar algumas regras da psicanálise nas psicoterapias que possuem outros objetivos, e são feitas em outros enquadres que não em um setting analítico.
Achei especialmente útil o capítulo 10, em que os tipos de intervenção verbal do terapeuta são enumeradas e aprofundadas. Se toma consciência de que quando estamos conversando com o paciente, estamos aplicando várias técnicas, de forma mais ou menos consciente.
A abertura demonstrada pelo autor para outras ideias para além da sua formação de base também está entre os aspectos positivos do livro para mim. Chega inclusive a dizer que deve-se repensar nossa tendência a considerar as terapias verbais como superiores para tratar problemas psíquicos, valorizando a utilização de técnicas corporais e a atuação de outros profissionais para atingir o mesmo fim.
Enfim, acho que trata-se de um bom guia para os psicoterapeutas de primeiras viagens, indicando as coordenadas possíveis sem, contudo, limitar as possíveis rotas a serem futuramente exploradas.