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    Prometeu Agrilhoado (Clássicos Gregos & Latinos #7) -

    Ésquilo

    Edições 70
    2008
    87 páginas
    2h 54m
    ISBN-13: 9789724414218
    Português
    4.1
    7 avaliações
    Leram7Lendo2Querem1Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados1Avaliaram7

    Integrado originalmente numa trilogia, de que se perderam as duas outras peças, "Prometeu Agrilhoado", de Ésquilo, descreve com vigor e violência o sofrimento do Titã, amigo dos homens e criador da cultura em geral, na sua oposição a Zeus.

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    jonasbrother16 picture
    jonasbrother1625/09/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    --- Este review começa com uma crônica que não necessariamente tem a ver com o livro. A resenha encontra-se no bloco seguinte --- Hoje eu tomei a decisão muito feliz de retomar o hábito de leitura com um elemento de aventura: sair, procurar, comprar e ler um livro, de cabo a rabo, em algum lugar público, uma praça ou algo do tipo. Como estou a fazer algumas missões pessoais cá em Lisboa, fui à famosíssima Bertrand no bairro do Chiado. Naveguei pacientemente pela coleção inteira, perturbei os funcionários perguntando onde encontrar livros e se haviam alguns títulos específicos, peguei alguns candidatos e rodei tudo novamente a tentar me decidir. A coleção da biblioteca deixou um pouco a desejar, pois a minha expectativa era ter de escolher entre 10 ou 15 livros e afinal só estava com uns 5 à mão. Claro, se eu quisesse ler alguma literatura mais mainstream ou contemporânea, lá havia muito a se escolher. Mas eu gostava mesmo era de ler algo mais antigo, ou mais descaradamente filosófico. Ao final, tinha em minhas mãos uma coleção de ensaios do Chesterton, a Utopia de Thomas More, As Formas da Música de André Hodeir, Elementos Básicos de Filosofia de Nigel Warburton, e esta peça de Ésquilo. Eliminei o Chesterton por já ter no Brasil muitas obras dele, e achei um tanto redundante comprar ali um livro que pinçava pedaços de vários livros do autor, num apanhado geral meio "best of...". Prefiro sempre as coisas em versão integral, em raríssimas exceções eu me permito ler algo pesadamente editado (As Mil e Uma Noites foi uma delas, já que foi feita pelo próprio tradutor que trouxe as obras para o mundo de língua latina, e também porque a versão integral é algumas muitas vezes maior -- um outro dia leio). A Utopia de Thomas More é um daqueles livros que há um bom tempo que quero ler. Situada ali nos tempos de gênese do romance, seria interessante tanto por ser um dos primeiros romances, quanto por ter um tema bem curioso: a Utopia, o "não-lugar". Já não é a primeira vez que o pego em mãos para depois desistir por qualquer motivo, e hoje foi por ser um pouco longo demais e achei que se calhar não daria tempo. Um outro dia leio. Os outros três... acabei levando. Embora só o Ésquilo foi pensado para a aventura do dia. O Nigel Warburton foi como livro de contenção: caso a leitura do Prometeu fosse rápida demais, tinha ali um outro livro a pelo menos começar. Gostei muito da pequena história da filosofia que ele escreveu, e achei que não seria doloroso tentar um outro livro dele. Já o Formas da Música é só porque me interessa muito o tema, e acabei lendo a introdução dele antes de ler o Ésquilo, que já me deu considerações estéticas o suficiente para mastigar por uns dias. Com os livros comprados, agora era encontrar um lugar. De outras visitas que fiz aqui à Lisboa, um dos lugares mais apaixonantes para mim foi o Miradouro de Santa Luzia, com seus adoráveis azulejos e seu teto de plantas floridas -- e claro, a vista para o rio Tejo. Pensei que seria excelente se lá houvesse um lugar para sentar e ler. E havia. Fiquei ao lado de uma seção do miradouro que estava em reformas, portanto poucos turistas passaram ali. Não fui perturbado, com exceção de um momento onde se sentaram alguns rapazes a conversar alto. Mas eu sou bem treinado em não ouvir o que não me diz respeito. E além do mais, eles falavam uma língua africana que eu não saberia nem identificar qual era. Fiquei ali e fui envolvido pela leitura. Lembrei de como o vento de Lisboa é gelado mesmo quando o Sol é bem quente. Mas mesmo com um tanto de frio, cumpri a missão. E foi mesmo uma coisa muito feliz, tanto por ser um livro excelente (mais sobre isso logo abaixo), quanto por ser a minha tentativa de retomar um hábito tão prazeroso, e ao mesmo tempo a celebração de poder fazer isso em um lugar público (e tão bonito) sem ter de me preocupar com qualquer vírus insidioso. --- A RESENHA COMEÇA AQUI --- O livro começa com uma introdução erudita, mas curta, que elenca os problemas e discussões que envolvem a obra. A peça é parte de uma trilogia, cujas outras duas partes (Prometeu Liberto e Prometeu Portador do Fogo) estão perdidas. Uma boa parte da introdução se dedica ao problema de se a peça foi mesmo escrita por Ésquilo. Há controvérsias, mas ao mesmo tempo boas razões para se acreditar que sim. Outra parte da introdução tenta contextualizar o mito de Prometeu, contando coisas como de onde o mito veio, e para onde foi. Ao contrário do que foi narrado nos Persas e nos Sete Contra Tebas, a peça de Ésquilo sobre Prometeu soma numa imensa tradição literária, e Ésquilo faz parte das raízes dela. Já aí é uma obra diferenciada, que tomou diversas faces ao longo da nossa história, e que é assustadoramente ressonante, mesmo pra mim que vivo 2500 anos depois. A quem talvez ainda não saiba: Prometeu é um titã que ajudou Zeus a destronar Crono, mas que também traiu o mesmo Zeus roubando-lhe o fogo (que era na verdade um presente a Hefesto, o deus da forja) e dando-o aos humanos. Prometeu então foi castigado a ficar acorrentado (agrilhoado), enquanto uma ave lhe comia eternamente o fígado. Um castigo tão severo quanto os que minha mãe prometia me dar se não fizesse algo que ela me havia demandado. A peça é muito simples (como foi os Persas, e os Sete), tendo ali não mais que 3 vozes contracenando ao mesmo tempo, e sem muito movimento (pelo menos para quem anda acostumado a ver muito filme de super-herói). Mas a força dos diálogos é espantosa. Prometeu foi mesmo escrito aqui para ser uma personagem de uma integridade que constrange (ao contrário do Prometeu traiçoeiro de Hesíodo). Não houve episódio da peça no qual eu não fosse atravessado por algo no caráter nobre de Prometeu, na grandeza de espírito da sua postura e das falas diante dessa grande injustiça a que ele estava sendo submetido. É uma personagem realmente brilhante. Não à toa, então, que Prometeu vai servir de símbolo para os mais diversos ideais. Nobre, íntegro, inflexível, filantropo, mártir: quem não é que quer ser identificado com isso? Principalmente entre revolucionários, Prometeu é um prato cheio. Porém ao menos na peça de Ésquilo, e suspeito que para os gregos em geral, a coisa mais importante aqui não é o caráter revolucionário de Prometeu, mas outras duas: primeiro, a sujeição ao destino, ou Necessidade, e depois, a moderação, ou seja, o controle da hybris (algo como "petulância", em grego). Prometeu faz o que faz, mas depois se sujeita inteiramente às consequências (me faz muito lembrar a resignação de Cristo ao longo de sua Paixão). E também a história caminha (não aqui, mas em obras futuras e perdidas) para uma resolução onde Prometeu e Zeus se reconciliam, e a harmonia é restaurada no cosmos. A revolução de Prometeu é parte estrutural da obra, mas não me parece ser a mensagem principal. Mas também não me admira que nós, modernos e cheios de hybris, só vejamos aqui o que nos agrada. Essa é a primeira obra grega que leio, e que acho sem qualquer reserva que deveria ser lida por qualquer um, ou seja, estou dizendo que essa obra não serve só ao público esquisito que adora coisa antiga, símbolos, etc.

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    Αισχύλος Aeschylus  profile picture

    Αισχύλος Aeschylus

    Ésquilo é o verdadeiro criador da tragédia, à qual deu dimensões literárias e sociais. Com excepção de Os Persas, que é a única tragédia grega baseada num tema contemporâneo, todas as obras de Ésquilo tratam temas alusivos aos heróis e aos deuses. Conservam-se sete: a trilogia da Oresteia (Agamémnon, Coéforas, Euménides), Os Persas, As Suplicantes, Os Sete contra Tebas e Prometeu Agrilhoado. Esta última desenrola-se num universo brutal e desgarrado por oposições irreconciliáveis: Prometeu, que rouba o fogo (o conhecimento) aos deuses para o dar à humanidade, é impotente perante o poder tirânico e desmesurado de Zeus, que o condena a um tormento sanguinário e permanente. Esta oposição decide-se noutras duas tragédias perdidas, que formam a trilogia dedicada a Prometeu.

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    Elêusis - 524 a.C., Hélade

    Αισχύλος Aeschylus