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    Arquivida - Do Senciente e do Sentido

    Jean-Luc Nancy

    ILUMINURAS
    2014
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-10: 8573214449
    Português Brasileiro
    4
    2 avaliações
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    Jean-Luc Nancy é um filósofo sutil, que ao invés de confrontar a tradição para justificar uma posição 'própria', encontra nessa mesma tradição elementos que a relativizam, liberando nela pistas para o presente. É o que acontece nos quatro textos aqui reunidos, e que abordam domínios tão diversos como a tecnologia, a divindade, o toque, a democracia. Que o leitor não se deixe enganar por essa aparente dispersão, já que uma questão tão simples quanto aguda volta na pluma do autor - a saber, o que significa essa partícula com, à qual Heidegger, pela primeira vez na história da filosofia, deu um estatuto filosófico maior. O que faz com que ela não indique uma mera justaposição de coisas ou pessoas, mas faça sentido, faça mundo? E como assegurar um tal mundo sem impor-lhe desde cima qualquer unidade teológica, política, tecnológica, cuidando para que a vizinhança entre coisas e pessoas e máquinas ao mesmo tempo assegure uma circulação dos sentidos, sem abolir as distâncias e a separação? no último ensaio, dedicado à política, isso fica claro, ali onde a democracia só pode ser pensada como 'ser-com', 'justa-posição', 'dis-posição', a partir de uma tópica existencial que permite a circulação de sentido. O 'com' não é apenas indício de igualdade, mas sobretudo de compartilhamento e circulação de sentido. É assim que se pode redefinir o povo, não como entidade política, mas como realidade antropológica ou ontológica, onde o sentido, ao mesmo tempo que circula, se interrompe, é suspenso, reaberto, tornado infinito, comunicado, singularíssimo. assim, a ilimitação que o autor encontra no mundo contemporâneo, com a proliferação de objetos e finalidades, construções e destruições, não é apenas signo de niilismo. se tolerrância prescinde da hipótese de um designer inteligente, ela não nos dispensa de uma exigência redobrada em acompanhar o sentido dessa errância de sentido. o leitor encontrará neste livro pistas para uma leitura de nosso presente, sem recurso a doutrinas prontas ou totalizantes. ao repensar o estatuto do sujeito como 'exposto ao fora', ao outro, ao toque do outro, o autor retoma a relação à alteridade como definição primordial do sujeito. Talvez seja a partir desse ponto o 'poder de ser afetado' - que o esboço de uma outra ética pode ser vislumbrada, nas condições do ecossistema atual.' - Peter Pál Pelbart

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    Paulo Silas Taporosky Filho picture
    Paulo Silas Taporosky Filho27/05/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Jean-Luc Nancy é um filósofo contemporâneo que possui como uma de suas notoriedades o apontamento de elementos de tradições filosóficas a partir das quais estabelece os seus pontos, estruturando seu pensar a partir desses como eventuais relativizações, mas sem que haja uma espécie de confronto com o fito de superar domínios filosóficos já estabelecidos. Assim é em "Arquivida: do senciente e do sentido", uma reunião de textos do autor onde se discute temáticas que dizem respeito a questões como a tecnologia e a democraia, além de outras abordagens filosóficas. Quatro são os textos do filósofo reunidos nessa obra. No primeiro, "Ruren, Beruren, Aufruhr", o toque recebe a digna e convidativa atenção do autor. O toque enquanto ato, enquanto um algo que representa e constitui um fenômeno que significa muito mais daquilo que aparenta, que externaliza e irradia coisa além de que se é observado sem que o todo seja contemplado de maneira minuciosa e detalhada. É que em sendo o tocar um dos maiores tabus, não recebe a análise devida, estando aí o olhar clínico-filosófico de Jean-Luc Nancy que preenche essa lacuna ao vislumbrar a alma enquanto o corpo que é tocado. No segundo texto, "Sobre a destruição", o que se aponta é para a existência de uma hipertrofia da construção, onde se leva em conta muito mais a montagem do que a edificação, estando a destruição como uma reação provocada pelo paradigma construtivo. No terceiro texto, "Meu DeusI", 'deus' como categoria do ser é refletido pelo filósofo, o qual estabelece que "o inominável não é um real que supera toda a nomeação, ele é o que todos os nomes nomeiam sem nunca significá-lo: ele é a própria razão da linguagem". No último texto, "Arquivida", tem-se uma construção semi-poética que dialoga sobre a democracia. Mesmo sendo uma obra curta, a profundidade é alcançada em suas poucas páginas. Jean-Luc Nancy é um autor complexo que exige uma leitura atenta para que possa ser refletido a contento. Como aponta Adrián Cangi no posfácio do livro, "a filosofia de Nancy trata do abandono sem retorno de qualquer hipóstase do sentido. Começa e termina em um corpo que toca como prova de que o mundo é passível de sentido em sua concreção e discrição". Uma obra filosófica que diz muito em pouco, portanto.

    1 curtida

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    Jean-Luc Nancy

    A obra de Nancy é marcada pelo grande tamanho de publicações e pela heterogeneidade de temas. Datam da década de 60 o início de suas reflexões, que atravessam desde a leitura de filósofos clássicos (Descartes, Kant, Hegel), ao envolvimento com figuras essenciais para a filosofia francesa do século XX (Nietzsche, Heidegger, Bataille, Merleau-Ponty, Derrida, etc.), assim como, reflexões sobre arte e literatura. É conhecido principalmente, por ter contribuído para o debate acerca da comunidade e da natureza do político. Nancy é professor emérito da Universidade de Estrasburgo.

    13 Livros
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    Jean-Luc Nancy