Poesia boa é aquela que deixa na boca um gosto de vida nunca antes saboreado. Poesia boa é aquela que passa pela alma, sim, mas depois atinge as entranhas, porque estranha. Poesia boa é aquela em que as palavras despem os uniformes para vestir roupagens diversas das usuais, desnudando novos significados e sensações. Poesia boa machuca. Poesia boa puxa o tapete, faz balançar. Estende a mão, mas também empurra para forçar a andada sozinho. Poesia boa não explica nada. Confunde para invocar lucidez. Poesia boa sequer quer ser boa. Poesia boa é Poesia por si só, porque nasce da necessidade de alguém poetar e extrair do útero para o mundo a semente do Belo que ali se entranha. E o Belo em Poesia não pressupõe bonitezas nem facilidades, pelo contrário. Pode ser duro e árido como uma pedra. Ou um diamante. A Poesia de Jaque Pivotto tem de tudo isso um pouco, e ainda infinitos poucos mais, a serem descortinados por cada leitor, a cada leitura que fizer e refizer. Jaque, com sua personagem/alter-ego Gertrudes, traz esse talento à tona ao se esconder, ao se revelar e ao habitar cada verso de sua obra, às vezes duros, às vezes sofridos, outras vezes singelos e doces, másculos ou femininos, mas sempre tocados pela presença do Belo, que só os grandes poetas são capazes de ofertar.
Quando Nasci Gertrudes -
Jaque Pivotto
Quatrilho Editorial
2016
128 páginas
4h 16m
ISBN-13: 9788581743356
Português Brasileiro
Edições (1)
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