O livro tem a autoria de Rebecca Walker, uma escritora e ativista norte-americana considerada uma das principais vozes da terceira onda do feminismo por seu artigo publicado na revista "Ms." em 1992. A mesma é filha de ninguém menos que Alice Walker.
No enredo conhecemos Farida, uma universitária sedenta por aventuras que decide fazer uma viagem pela África com sua amiga Mirian. Durante sua passagem por Lamu, uma cidade do Quênia, a jovem se apaixona por Adé, um encantador rapaz swahili. Com este vínculo, Farida repensa seus planos e escolhe mergulhar nessa relação, se jogando nesse novo país que vive momentos conflituosos.
A autora inicia o livro apresentando a confusa relação das duas amigas. Depois, parte para a viagem na África, cuja trajetória é descrita de maneira um tanto corrida, porém se atentando minuciosamente aos aspectos da cultura africana. Ressalto que há bastante riqueza na ambientação, cada descrição proporciona uma experiência sensorial única.
A escritora conduz o leitor até o romance de Farida com o jovem Adé, construindo a relação deles apressadamente, mas conseguindo criar uma conexão bela entre os dois. Apesar dessa ligação, o casal acaba tendo que lidar com diversas adversidades políticas, sociais e culturais existentes entre eles, fator que gera reflexões na protagonista.
Caminhando para o desfecho, vem uma grande lição sobre autodescoberta e singularidade.
Eu realmente gostei da história, mas sinto que faltou repouso para o texto. Enquanto eu lia, tive a sensação de que a escritora tinha muita pressa em terminar o livro. Achei o desenvolvimento corrido e superficial. Queria ter visto aprofundamento na relação da protagonista com os pais, no romance com Adé e no desfecho. Na minha visão, Rebecca deixou escapar aspectos grandiosos que poderiam ter feito parte da narrativa.
Concluindo, amei a história e a ambientação, mas a narrativa crua deixou a desejar. É uma leitura boa, porém, com mais desenvolvimento, poderia ter sido grandiosa.