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    O Despertar da Europa - A Baixa Idade Média

    Pais, Marco Antonio de Oliveira

    Atual
    2013
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9788535715705
    Português Brasileiro
    4.8
    3 avaliações
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    A obra traz como título de O despertar da Europa porque é no período chamado de Baixa Idade Média, ou seja, entre os séculos X e XV, que o continente europeu começa a ganhar novos contornos sociais, culturais, artísticos, religiosos e econômicos, que marcaram de forma definitiva a Europa. O feudalismo começa a se deteriorar, oferecendo cada vez mais espaço ao comércio, com o aparecimento da burguesia e a posterior centralização da política e da economia. Na área agrícola surgem vários avanços tecnológicos, trazendo grande incremento à produção de alimentos. Apoiada em documentos fidedignos, como atas de reuniões imperiais, bibliografia sólida, iconografias da época, letras de cantigas medievais, mapas e até textos pontificiais, a obra comprova a importância desse período histórico para o surgimento das cidades, as transformações no sistema de trabalho e de servidão, as corporações de trabalhadores e artesãos e a utilização da igreja como espaço para espetáculos.

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    Maurício Saraiva picture
    Maurício Saraiva08/04/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Um bom exercício para leitores céticos

    O livro de Oliveira é uma breve e bem organizada apresentação de um período de meio milênio de história europeia, um projeto sempre arriscado, especialmente para um território tão diversificado e tão dinâmico. Encontrei algumas explicações pouco convincentes, como a que propõe a difusão das heresias como um sintoma social das "péssimas condições de vida e de trabalho da maioria da população" (pg. 66) - isso depois de descrever a melhora das condições de vida a partir do século XI. A afirmação de que, com a criação das ordens mendicantes, os hereges "foram habilmente controlados pela Igreja Católica" (pg. 70) não é algo, convenhamos, que se espere de um historiador com Doutorado. Enfim, a sugestão de que a Reforma Protestante tenha sido uma resposta à indignação popular contra as torturas praticadas pelos inquisidores católicos (pg. 71) também não encontra qualquer respaldo (e aqui o Autor nem tentou citar algum documento antigo para tentar confirmar sua tese), pois os órgãos de justiça dos países protestantes praticavam basicamente as mesmas torturas que as conhecidas nos países católicos - como todos sabem. Mas o que exige mais atenção do leitor é esse estratagema muitíssimo comum da historiografia de mudar o "alguém disse tal coisa" para o "dizia-se tal coisa", quando se cita o trecho de algum documento com a clara intenção de se sugerir um "pensamento corrente de uma época". Esse método, convenhamos, é capaz de provar qualquer coisa sobre qualquer época, pois sempre será possível encontrar algum trecho de algum documento histórico sugerindo seja qual for a tese do autor. Imaginemos, por exemplo, se um historiador do futuro quiser citar uma canção entoada pelos adeptos da Renovação Carismática para ilustrar "o que se cantava no Brasil, no início do século XXI". De toda forma, o Autor é muito bom em sua especialidade: cultura profana ibérica na Baixa Idade Média - suas descrições desse assunto são ótimas, e já valem a leitura.

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