A palavra que define o livro é confusão e, do começo ao fim do livro as perguntas e urgências por explicações claras sobre os detalhes vão se empilhando, e não são completamente respondidas. Cheguei ao fim da história sem saber explicar pra vocês o que realmente um Seeker é – ou era, quando fazia o que devia fazer. E, é claro que isso é um problema.
Meu interesse sobre esse livro veio da capa que é super bonita e do fato de ser uma fantasia. A premissa parecia interessante e eu estava empolgada, mesmo sendo uma trilogia e eu já tendo dezenas em andamento. Porém, fiquei um pouco decepcionada com a história.
A narrativa é super acelerada e já começamos o livro com uma cena de ação. Nesse aspecto a autora tem crédito, ela sabe escrever bem essas cenas e criar todo esse ar de urgência na trama. Não há demora e temos vários momentos onde os personagens lutam ou precisam sair de alguma enrascada e isso ajuda também a dar o tom acelerado.
“Antes acreditava que aquela marca seria um emblema de orgulho, mas agora o significado era completamente diferente. Ela havia sido amaldiçoada.”
Porém, toda essa destreza não se estende a explicar o mundo para o leitor. Começamos o livro na Escócia, mas não sabemos quando. Há elementos diferentes que remetem a um período futurista, mas não há exatamente uma certeza, pois há aspectos antigos também, então o leitor precisa estipular em sua imaginação uma realidade onde isso se encaixe, aliado aos elementos fantásticos do contexto dos “seekers” que também são inseridos.
Achei os personagens um pouco rasos, já que tem sempre as atitudes mais previsíveis e não se destacam em nenhum ponto. Acho que John é o que mais se sobressaltou para mim apesar de suas motivações dúbias. Shinobu tem um ótimo momento no fim do livro também, mas não passa disso. E Quin é completamente apática. Ela basicamente não toma nenhum decisão acertada – ou qualquer decisão – durante o livro, sendo carregada pela trama e pelos problemas que a envolvem.
Tendo apresentado para vocês três jovens, onde temos uma garota e dois meninos, o que é que vem a mente? Triângulo amoroso. E sim, ele está presente e praticamente norteia grande parte das decisões tomadas pelos personagens, prejudicando a história.
“A vida sem treinamento é como água derramada na areia.”
De forma resumida, o livro parece perder o peso por optar desenvolver conflitos complexos utilizando elementos bobos. E, com isso, perde o foco completamente. Como mencionei, a leitura é super fluída, mas isso não basta para segurar a história. Também não há nenhum grande cliffhanger no final, e a vontade de continuar lendo um segundo livro vem da esperança de que a história melhore e se torne mais esclarecida.
Portanto, apesar da capa muito bonita e de uma premissa que tinha tudo para entregar um livro cheio de complexidade e desdobramentos, o que Arwen Dayton nos traz é mais uma história adolescente, com jovens vivendo aventuras em um mundo que nos pertence mas que também é diferente. E ela não tira o tempo suficiente para explicar, deixando o leitor a ver navios na hora de se situar na história. Para alguns leitores sei que a apresentação do mundo fica em segundo plano, principalmente quando há romance envolvido, mas isso não funciona muito bem comigo. Dessa forma acredito que quem valoriza mais o outro aspecto da história poderá ter uma experiência melhor.