Nem Tudo Será Esquecido é um dos mais recentes thrillers psicológicos publicados pela editora Planeta. Por ser fã do gênero, fiquei instantaneamente interessada pela leitura, e Wendy Walker me conquistou e surpreendeu com seu romance, no mínimo, perturbador.
Na pequena e pacata cidade de Fairview, em Connecticut, onde todos se conhecem, um crime abala todos os habitantes: a adolescente Jenny Kramer é violentamente estuprada durante uma festa por alguém não identificado. Durante suas primeiras horas de atendimento, seus pais concordam em administrar nela uma droga capaz de fazê-la esquecer dos acontecimentos, a fim de evitar um provável trauma. Quando ela acorda praticamente sem lembranças da noite anterior, todos acreditam que o tratamento foi um sucesso, ainda que tenha dificultado o trabalho da polícia. Contudo, com o passar dos meses, fica claro que nem tudo foi apagado de sua mente, e enquanto ela e seus pais precisam lidar com as consequências da traumática noite, segredos de sua própria família passam a se interligar com as de sua comunidade, enquanto a polícia continua em busca do causador de tanta dor e violência.
O primeiro ponto a chamar minha atenção em Nem Tudo Será Esquecido foi a escrita pungente de Wendy Walker. Logo nos primeiros parágrafos, temos o relato do estupro de Jenny, e confesso que foi difícil prosseguir a leitura, considerando o desconforto que ela me causou. Ao mesmo tempo, foi essa mesma capacidade de me afetar que me fez prosseguir por página atrás de página, em um ritmo cada vez mais viciado e alucinante.
Ainda, essa escrita se dá por um diferencial, já que assume a narrativa em primeira pessoa de uma personagem intimamente ligada aos fatos, mas, ainda assim, externa a eles: o psiquiatra de Jenny. Achei incrível essa perspectiva tanto por ela permitir um aprofundamento dos relatos quanto uma análise sobre eles, considerando-se a profissão do narrador.
Esse, entretanto, pode ser um ponto controverso entre os leitores. O narrador faz diversas digressões, narrando, inclusive, acontecimentos de sua profissão e relatos de outros pacientes, de forma que a história, às vezes, pareça fugir da trama central e do caso de Jenny. Ainda, ele dá diversas explicações científicas sobre o funcionamento da mente, bem como, conforme mencionado, analisa as personagens e suas atitudes a partir de seus relatos. Para mim, entusiasmada pela temática, a leitura foi um prato cheio, extremamente interessante e informativa; para quem não se sente atraído por ela, entretanto, o livro pode ser mais parado e cansativo.
Não bastasse o aspecto psicológico e científico da história, achei incrível a maneira de como Wendy Walker ligou todos os pontos de Nem Tudo Será Esquecido, culminando em um clímax surpreendente e que faz completamente jus ao gênero ao qual o livro pertence. Esse foi um dos melhores thrillers psicológicos que li em 2016, sem sombra de dúvidas.
De modo geral, Nem Tudo Será Esquecido me surpreendeu tanto por sua escrita e narrativa quanto pela própria trama em si. Wendy Walker soube construir um enredo rico em suspense e dramas familiares por meio de uma perspectiva científica e analítica capaz de impactar e desconcertar o leitor. Fazendo jus ao seu título, esse é um livro que muito dificilmente será esquecido, e certamente constará em minhas futuras indicações de thrillers psicológicos aos entusiastas do gênero.