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    Adoro Morrer -

    Tibor Fischer

    Rocco
    2004
    244 páginas
    8h 8m
    ISBN-10: 8532517188
    Português Brasileiro
    3.2
    25 avaliações
    Leram50Lendo2Querem44Relendo0Abandonos6Resenhas1
    Favoritos0Desejados44Avaliaram25

    Adoro morrer é o primeiro livro de contos do inglês Tibor Fischer. Se seus romances já primam pela originalidade, as histórias curtas dão ainda mais liberdade ao autor, que cria situações bizarras e personagens excêntricos. Os protagonistas de seus sete contos são quase todos europeus fracassados, esquisitos, entediados e cínicos, mas surpreendentemente humanos. É uma gente blasé demais para deixar transparecer que só quer ser feliz. Para Jim, a figura central do conto Comemos o chef, felicidade é o direito a férias remuneradas, coisa que ele não pode ter, porque sua produtora de sites não dá um centavo de lucro. Já o John Smith de Retrato do artista quando famoso mercador da morte é um pintor que tem certeza de que seu trabalho mudará a história da arte. Só que ninguém olha para os seus quadros. E o conto que dá nome ao livro, Adoro morrer, apresenta Miranda, atriz cômica que apela para uma última tentativa desesperada de ser famosa - escalar nua um dos pontos mais conhecidos da cidade, com o cabelo pintado de azul e uma tatuagem provisória de dragão no ombro.

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    Anica Bitten picture
    Anica Bitten16/01/2011Resenhou um livro
    0

    Adoro Morrer (Tibor Fischer)

    “Nunca existira um livro que não contivesse fibras de outro livro.“, pensa o protagonista do conto O Devorador de Livros, um dos textos presentes na coletânea Adoro Morrer do inglês Tibor Fischer. E tanto isso é verdade, que há algo nos escritores britânicos nascidos ali pela década de 50 que apresenta quase que essa mesma “composição de fibras”. Os livros que eles leram desde quando eram jovens devem ser mais ou menos os mesmos, as músicas que ouviram, os filmes que assistiram. Enfim, suas referências ecoam em suas obras. Digo isso porque tão logo comecei a ler o primeiro conto da coletânea (Comemos o chef) pensei na hora nos personagens meio perdedores do Nick Hornby. Aquele mesmo cinismo em se reconhecer “do lado errado” está lá, naquele mesmo tom coloquial bem próximo de uma conversa. Mas Fischer é mais ácido, muito mais ácido. E uma boa parte de seus contos tem alguns elementos que lembram filmes de Guy Ritchie (os bons, por favor!). Por essas semelhanças que acredito na força do contexto. Lembro de uma professora que costumava dizer que se Shakespeare nascesse em outra época e em outro lugar, não teríamos textos tão brilhantes como Hamlet e Rei Lear. Prolongando o raciocínio, tem algo ali na Inglaterra da década de 50 que fez aparecer esses bardos que contam histórias de pessoas comuns como pessoas comuns de um jeito incomum. Gostei muito dos contos, em alguns não dava para acreditar onde Fischer estava indo: se você relê o conto a partir do começo, não dá para acreditar em como ele consegue progressivamente te levar àquela conclusão. O ponto alto dos textos na minha opinião está no uso de símiles. Para explicar um único pensamento ou momento, Fischer recorre a todo um quadro comparativo, e muitas vezes consegue conquistar a simpatia do leitor porque a identificação é imediata. Por exemplo, como aparece em Gelo esta noite no coração de jovens visitantes: Era como ser adolescente de novo e acreditar que todo mundo estava se divertindo mais do que você. Sobre parecer quase uma conversa, só não parece completamente porque a opção do Fischer para o narrador é sempre em terceira pessoa. Mas por registras as divagações das personagens, o tom acaba sendo bastante coloquial. Nesse sentido é muito gostoso de ler, o problema é a acidez do texto, que em determinados momentos vem como um soco na boca do estômago. Fico feliz por ter sido apresentada ao Fischer, agora estou curiosa para conhecer os romances como Um palmo abaixo, A gangue do pensamento e O colecionador de colecionadores. Como os contos pareceram até meio longos (na minha opinião alguns já até se enquadrariam como novelas), acredito que em romances ele possa ser ainda melhor, tendo “espaço livre” para desenvolver sua prosa.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.2 / 25
    • 5 estrelas8%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas40%
    • 2 estrelas12%
    • 1 estrelas4%
    Tibor Fischer  profile picture

    Tibor Fischer

    Tibor Fischer nasceu em Stockport, Inglaterra em 1959. Ficou famoso após publicar seu primeiro romance “debaixo da rã” (tradução livre) cujo titulo foi inspirado no ditado popular “o pior lugar para se estar é debaixo da bunda de um sapo, numa mina de carvão.” Recebeu diversos prêmios de literatura na Inglaterra e na Europa.

    11 Livros
    0 Seguidor
    Grande Manchester, Inglaterra

    Tibor Fischer