Vendendo pseudociência sob a alcunha de Paradigma Emergente
Não diria que esse livro foi uma completa perda de tempo porque as duas primeiras partes suscitaram reflexões interessantes; e mesmo a última parte, do paradigma emergente, me serviu como um exercício interessante, quase um jogo, de encontrar falácias, saltos lógicos e respostas para o texto absurdo (não no bom sentido, me perdoe, Camus). A reconstrução da história e da epistemologia da ciência moderna, bem como as críticas ao paradigma dominante e suas limitações foram bem executadas e são mesmo necessárias para que o cientista contemporâneo não perca de vista os limites dos sistemas de conhecimento em que ele está inserido e do saber que ele produz. Porém, quando Boaventura propõe o "paradigma emergente", a narrativa se torna uma mistura de saltos lógicos (aponta uma inconsistência e em seguida tenta forçar uma ideia maluca que superaria essa inconsistência), de defesa do esoterismo e de equiparação de todos os tipos de conhecimento [científico, religioso (haha), poético (hahaha), astrológico (hahahaha) etc.], além de várias outras forçações de barra que é necessário ler para entender. É preciso cuidado e olhar crítico parar abrir as páginas desse livro e deixar que seus olhos percorram suas letras.




