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    Uma Fuga Perfeita É Sem Volta -

    Marcia Tiburi

    Record
    2016
    616 páginas
    20h 32m
    ISBN-13: 9788501104816
    Português Brasileiro
    3.8
    38 avaliações
    Leram58Lendo10Querem198Relendo0Abandonos7Resenhas5
    Favoritos4Desejados198Avaliaram38

    O novo romance da autora de Como conversar com um fascista. Funcionário da chapelaria de um museu, Klaus mora sozinho em um velho apartamento no bairro turco de Berlim. Depois de anos sem contato com a família no Brasil e após uma noite mal dormida, telefona para a irmã, Agnes, que, em meio a trivialidades, revela que o pai está morto há meses. A partir dessa descoberta, Klaus se entrega à dúvida entre voltar ao lugar em que nasceu e avaliar os motivos pelos quais escolheu a distância ou permanecer e lidar com a condição de estrangeiro, a dificuldade com a língua alemã, a gagueira e a configuração corporal sexualmente confusa que o aflige. Em um contexto de incansável meditação sobre questões éticas e afetivas, Marcia Tiburi desenvolve as questões de um narrador angustiado em constante fuga, mas que encontra, em uma saída surpreendente, um sinal para seguir com a vida.

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    Celso Faria picture
    Celso Faria30/05/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um livro sobre a busca de identidade

    Uma Fuga Perfeita É Sem Volta da filosofa e escritora Márcia Tiburi é, sem dúvida, um livro que exige fôlego. As mais de 600 páginas é um mergulho profundo na psiquê e no universo de um personagem marcado pela solidão e abandono. Klaus Wolf Sebastião tem sua rotina solitária quebrada pela ida ao trabalho - onde é um desconhecido guardador de volumes em um museu em Berlim -, reuniões num grupo de filosofia e, por fim, ligações anuais à família brasileira. E, em um dessas ligações, descobre que seu pai morrera e não fora avisado, dando o pontapé inicial para uma série de elucubrações do personagem, até a sua final redenção. Esta foi a minha primeira imersão em uma obra da autora em que tenho certa admiração pelas suas ideias desde o Saia Justa (GNT). Confesso que me foram sempre muito lúcidas e imaginei que sua ficção iria por ai. Escrito em primeira pessoa, não tenho dúvida ser um dos personagens mais bem construídos que tenha lido nos últimos tempos. Sua percepção clara de quem é Klaus vai fazendo que as idas e a vindas àquela ligação inicial vá construindo e desconstruindo um homem em busca da sua própria identidade. Não é um livro fácil. Exige esforço para quem se dedica a devorá-lo. Enquanto Ove (Minha Luta 1 - A Morte do Pai) e Minha Luta 2 - Um Outro Amor) descreve longas reflexões a partir do seu cotidiano e os papéis assumidos nele; Tiburi vai num nível ainda mais profundo do seu personagem, na percepção de sua identidade, singularidade e estranhamento. Para isso vale usar desde citações de Nietzsche, Dostoiévski e, porque não, Saint-Exupéry. Pela capa já tinha uma ideia de quem seria Klaus ao final da história, porém isso em nada diminui o poder do epílogo. Em determinado momento, quando o personagem procura pela chave e se sente trancado por dentro do seu próprio apartamento, me identifiquei com a ideia de Almodóvar em A Pele Que Habito. Ali se concretiza a revelação e a redenção do protagonista. Recomendo a leitura para quem busca boas histórias, sem grandes viradas, mas com personagens profundos, bem construídos e com uma visão extremamente sensível sobre a busca de identidade. Boa leitura.

    7 curtidas

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    3.8 / 38
    • 5 estrelas37%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas16%
    • 2 estrelas16%
    • 1 estrelas0%
    Márcia Angelita Tiburi profile picture

    Márcia Angelita Tiburi

    Artista plástica, professora de filosofia e escritora brasileira. Graduada em filosofia, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1990), e em artes plásticas, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1996); mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1994) e doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1999) com ênfase em Filosofia Contemporânea. Seus principais temas são ética, estética e filosofia do conhecimento. Publicou livros de filosofia, entre eles a antologia As Mulheres e a Filosofia e O Corpo Torturado, além de Uma outra história da razão. Pela editora Escritos publicou, em co-autoria, Diálogo sobre o Corpo, em 2004, e individualmente Filosofia Cinza - a melancolia e o corpo nas dobras da escrita. Em 2005 publicou Metamorfoses do Conceito e o primeiro romance da série Trilogia Íntima, Magnólia, que foi finalista do Prêmio Jabuti em 2006. No mesmo ano lançou o segundo volume A Mulher de Costas. Escreve também para jornais e revistas especializados assim como para a grande imprensa. É conferencista e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Márcia Tiburi também se apresentava, semanalmente, no programa de televisão Saia Justa, do canal por assinatura GNT.

    39 Livros
    188 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Márcia Angelita Tiburi