Erótica do luto no tempo da morte seca -

    Jean Allouch

    Companhia de Freud
    2004
    407 páginas
    13h 34m
    ISBN-10: 8585717661
    Português Brasileiro

    O caráter determinante do não-cumprido nos fez tomar ciência de que, em nosso tempo de morte seca, já que a mortalidade infantil deixou de ser o que era, o paradigma do luto é o luto do filho. Daí a questão: é imaginável, é possível que, assim, a morte do filho tinha acabado por tomar esse lugar? Em que condições poderia ela ter sido levada a esse estatuto de paradigma gramatical para todo luto? Terá sido preciso para isso, para que fosse avaliada a uma vida de cada um sem outro recurso que essa própria avaliação enquanto humana (ainda que humana demais), que Deus não fosse mais reconhecido como tendo em mão, Ele e Ele só, as cartas do juízo, com efeito, necessariamente final.

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    César de Oliveira17/03/2024Resenhou um livro
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    Enigma do luto como insolúvel e totalmente singular

    ''A ideia de que quem está de luto deveria saldar sua dívida para com seu morto em dois tempos parece descabida. E assim também o é a ideia transmitida pelo freudismo, segundo a qual -- quem está de luto já não teria nada a ver com o morto, depois que uma determinada operação tivesse sido efetuada. -- Atinge-se decidicamente a essência do grotesco, mas também a grosseria mais baixa, uma das mais odiosas abjeções contemporâneas, quando se declara que quem está de luto vai conseguir substituir seu morto, ex-vivo, por um vivo recém chegado. É espantoso que uma maldade dessas tenha adquirido direitos de cidadania. Em que desarranjo caímos para precisarmos de tamanho rebaixamento na relação de objeto?'' página 16

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