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    Mar de Histórias: Antologia do Conto Mundial Volume 08 - No Limiar do Século XX

    Paulo Rónai, Aurélio Buarque de Holanda

    Nova Fronteira
    1999
    344 páginas
    11h 28m
    ISBN-10: 852091019x
    Português Brasileiro
    4.1
    15 avaliações
    Leram33Lendo3Querem77Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos2Desejados77Avaliaram15

    A expressão que dá nome à coleção vem de uma antiga coletânea da Índia, do século XI; é a tradução do nome sânscrito Kathâsaritsâgara, que significa 'mar formado pelos rios de histórias'. Um verdadeiro oceano de narrativas, muitas delas célebres, outras traduzidas pela primeira vez para a língua portuguesa, de tal modo que a obra em seu conjunto é a mais completa panorâmica do conto universal.

    Resenhas (2)Ver mais
    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich06/12/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    É um ótimo volume, esse número 8. Tem, até agora, o melhor início de todos, porque o conto “O tenente Gustl”, do Arthur Schnitzler, é uma das grandes pérolas da literatura de todos os tempos. Fluxo de consciência vários anos antes de Joyce e ainda remete-me à literatura russa, com aqueles tipos esquisitos do Gógol. E na sequência já tem um Thomas Mann com o curioso “Agnus Dei”. Não demora muito e aparece o Anatole France com o expressivo “Putois”. Depois o surpreendente Lafcadio Hearn, que me pareceu uma espécie de Poe greco-japonês. “Diplomacia” é um conto em que se combina um gesto para depois de um homem ser guilhotinado, a exemplo de um conto do Villiers de L'Isle-Adam, só que com um belo toque oriental. Mais para frente, teremos excelentes momentos com Ricarda Huch (“O cantor”), Andreiev (“O grande Slam”), Stephen Leacock (o humorista incrível de “O destino terrível de Melpomenus Jones” e “A vingança do prestidigitador”) e Naoya Shiga (“A morte da mulher do atirador de facas”). Belos contos também dos desconhecidos Ivan Čankar (“A dessétitsa), Jules Lemaître (“Muito tarde”), Ferenc Molnár (“Conto de ninar”), Rafael Barrett (“A mãe” e “A carteira”), Arnold Bennet “O assasinato do mandarim”), Zygmunt Nidzwiecki (“O dote”) e Johannes Vilhelm Jensen (“Na paz do Natal”). Esse livro tem, provavelmente, a maior quantidade de contos que eu elogiei, entre os oito volumes que já li. Ah, sim, tem ainda um conto do O. Henry, apesar da pouca consideração que os organizadores do livro demonstraram em relação a ele. Há dois brasileiros, o sempre difícil Coelho Neto e mais o Simões Lopes Neto, além de latinos como Javier de Viana e Ernesto Montenegro, e o místico Francis Jammes de “O paraíso”. Um “porém” do livro é o famigerado Strindberg, com um conto, a meu ver, mal escolhido, pois o conto histórico “O império milenar” precisou de 35 notas de rodapé para que a gente tivesse ideia do que é que o escritor estava falando. Se eu quisesse ler contos históricos era uma coisa, mas essa pretende ser uma antologia genérica, e creio que o Strindberg, apesar de toda a misoginia, teria contos mais agradáveis. Também percebi, um incrível preconceito dos dois organizadores em relação à literatura japonesa antiga, dizendo que só a partir de 1868 é que se podia falar em "literatura. Os dois, em verdade, são muito chatos nos seus comentários introdutórios. Mas a seleção do livro é muito boa e ele vale muito a pena de ser lido.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 15
    • 5 estrelas40%
    • 4 estrelas27%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Paulo Rónai

    Foi tradutor, revisor, crítico, professor de francês e latim no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Nascido na capital da Hungria numa família judaica, fez seus estudos primários em seu país natal, mas estudou também na França e na Itália antes de se transferir para o Brasil devido à Segunda Guerra Mundial. Aqui, travou relações de amizade com Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, dentre outros. De seus trabalhos destacam-se as traduções para o português das centenas de contos reunidas em Mar de Histórias (Ed. Nova Fronteira), além do trabalho minucioso de revisão, anotação, introdução e comentário da densa e monumental obra Comédia Humana, de Balzac, publicada pela Editora Globo.

    26 Livros
    17 Seguidores

    Paulo Rónai