Mais um livro sobre o Cânon? Esta pergunta pode ser feita – e com razão, mas a resposta dada pelo próprio autor, F. F. Bruce, é extremamente agradável. Aliás, o próprio Bruce antecipa-se ao leitor fazendo a pergunta já no seu prefácio. E,já na introdução, o leitor tem um vislumbre de que está diante de uma obra necessária. Isso porque Bruce elaborou seu livro sob a perspectiva da liturgia, com muita informação sobre este aspecto. Por ser um erudito no Novo Testamento, é compreensível e até desejável que o autor dê maior atenção a esta porção das Escrituras. A obra considera as importantes discussões sobre a lei e os profetas do Antigo Testamento, antecipando o cenário para discussões e considerações posteriores em cenários como a Igreja Primitiva em sua pluralidade de interpretações, nas tradições orientais e latinas, a própria tradição judaica, nos pais e, posteriomente, na Reforma Protestante. Mas isso ainda é pouco. F. F. Bruce não se esquiva de dar uma resposta satisfatória ao criticismo (que merece um capítulo). Por outro lado, inova ao considerar as diferentes tradições de nossos dias, isso sem falar na riqueza de citações de autores e obras, mostrando porque é um dos especialistas mais aclamados no estudo das Escrituras nos últimos anos. Completa a importância e relevânica da obra a sua linguagem clara, direta, fluída, própria de um destacado professor que pretende ser compreendido pelo leigo sem deixar de impressionar o acadêmico, acrescentando considerações aprofundadas sobre problemas complexos. Em resumo, fica mais que justificada a publicação de um novo livro sobre o assunto – ainda mais porque O Cânon das Escrituras não é, nem de longe, um livro qualquer. Por que ler este livro: O doutor F. F. Bruce, falecido em 1990, foi uma das maiores autoridades no estudo das Escrituras, notadamente do Novo Testamento. Isso já seria argumento suficiente para ler um autor que tem, ainda, pouco material traduzido para a língua portuguesa. Mas a obra em si é densa, ampla e atual, com embasamento bíblico e apoio em farta pesquisa arqueológica e historiográfica. Sua exposição aclara sobremaneira o entendimento das Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, objetos deste volume. Quem deve ler este livro: Professores de seminários, faculdades e escolas dominicias, seminaristas, pesquisadores e pastores.
O Cânon das Escrituras -
F. F. Bruce
Edições (1)
Ver maisAo lermos a obra de F.F. Bruce, O cânon das Escrituras, passamos a conhecer alguns detalhes da formação do cânon que muitas vezes nos passa despercebido e além do mais desconsideramos a importância de se conhecer o cânon bíblia, ou seja, o que nós cremos e delegamos autoridade é realmente a Palavra de Deus e se é por que é? O Bruce desenvolve o processo histórico de maneira simples, de tal forma que qualquer leitor pode compreender a linguagem. O livro é composto por quatro partes e 23 capítulos e dois apêndice. A primeira parte é intitulada introdução e ali e discutido sobre a palavra cânon e seus significados, os povo do livro: judeus cristãos e muçulmanos, o termo testamento também é discutido nesta seção dentre outros assuntos que nos situa de forma geral para adentrarmos na segunda parte. A segunda parte nos apresenta a formação do cânon do Antigo Testamento (AT), mostrando a relação de Jesus coma as Escrituras do AT, depois a Escritura hebraica, ou seja, a TeNaKh e o seu processo de tradução para o grego, que ficou conhecida como a Septuaginta. Ainda nesta parte encontramos o AT se tornando em um novo livro, mediante as interpretações iniciadas por Jesus, e seus seguidores. Depois passamos para o reconhecimento do Cânon no Oriente e no Ocidente e concluímos passando pelo período da reforma e tempos posteriores. A terceira Parte apresenta o desenvolvimento canônico do Novo Testamento (NT), começando pela relação que o Senhor Jesus e os seus apóstolos tinha com o NT, depois Marcion que considera como canônico apenas o Evangelho de Lucas, desconsiderando os outros escritores, Mateus, Marcos e João e apenas 10 cartas do o apóstolo Paulo, ambos sofrendo alteração para se acomodar aos seus ensinamentos. Valentino e sua escola, por sua vez, alteraram as Escrituras por meio da interpretação, por demais alegóricas, esses e outros acontecimentos requeria uma resposta dos líderes eclesiástico do século II, esta reposta ficou conhecida como a resposta católica, que reconhecia os livros que compõe o NT. Passamos ainda por outros momentos históricos, são eles: o fragmento muratoriano, a lista de Irineu, Hipólito, Novaciano, Tertuliano Cipriano, os pais alexandrinos, o historiador Eusébio de cesareia, Atanásio, Jerônimo, Agostinho entre outros, finalizando com a época da imprensa. A parte quatro é a conclusão onde vemos critérios de canonicidade que foram levadas em conta nas épocas da formação do cânon e como são considerados atualmente pela crítica e o exegeta, depois vemos algumas considerações do cânon dentro do cânon e o perigo de nos limitamos a este e por fim e levado em consideração algumas questões de interpretação e crítica. Os apêndices falam sobre o evangelho “secreto” de Marcos e o sentido primário e pleno na interpretação Bíblica. O livro é por demais recomendado a qualquer pessoa que deseje ter mais conhecimento do processo Histórico da Bíblia Sagrada, seja: leigos, pastores, professores e acadêmicos. É apenas palavras de um leigo... Otniel
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