re-cordis -

    Ágnes Souza

    Moinhos
    2016
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-13: 9788592579043
    Português Brasileiro

    Quando não há tempo para poesia a poesia inventa um tempo. O tempo de uma música, o tempo de um cigarro, o tempo de uma cerveja apressada, o tempo do ônibus em uma parada, o tempo da espera na fila. A poesia, sendo um dos gêneros literários mais anarquistas, também foi o que melhor se adaptou ao fluir do próprio tempo, e existe resistindo bravamente, esquivando-se dos comentários pueris de que o tempo dela se esgotou. Os poemas desse livro, re-cordis, é uma questão de tempo, não só pelo fato de a poeta Ágnes Souza escrever poemas quase que instantâneos, talvez o tempo de uma bala, mas pela duração, leia-se, reverberação dos cinco, seis versos, que muitas vezes compõem cada um dos poemas desse livro. Funciona assim, você para rapidamente em um banco de uma praça, abre o livro e em três segundos você leu um poema, qualquer outro fator externo pode lhe atrapalhar, sua atenção pode ser desviada, mas aqueles segundos de versos podem durar o dia inteiro. Esse é o encanto de poemas curtos quando bem escritos, esse é o encanto do re-cordis. Então, Que tal um tempinho para um poema? Orelha do livro escrita por Talles Azigon

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    Tatiana Gama01/11/2016Resenhou um livro
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    Simplicidade

    Lido por mim em questão de horas, re-cordis me deixou com um sensação de leveza. Não que a autora recorra aquela velha forma de poesia boba ou otimista sem porquê, longe disso. Aliás, um dos meus poemas favoritos do livro se chama rotina, e fala sobre a convivência conjugal. Só que ela faz isso por meio de analogias de sensação: quente, frio, morno. E quando você termina de ler o poema você se sente contemplado por aquela verdade: ela é tão simples, ao mesmo tempo que a execução dela é tão complexa que o mecanismo nos escapa. É a simplicidade aberta desses poemas o que me deixou mais encantada. E, sim, essa é a palavra: encantada. E, faço com a palavra simplicidade a mesma ressalva que fiz com a sensação de leveza: isso não quer dizer que aquelas poucas palavras que ela coloca lá não abram um oceano. Significa apenas que a autora conseguiu transpor de maneira simples o que nós sentimos. É aquela sensação do estalo: a identificação que ela cria com o leitor te atinge ao fim de cada poema. Outro poema, graphos, fala sobre a inércia. Como é sempre mais difícil sair daquilo em que já estamos. O poema não tem mais do que quatro ou cinco linhas e a chave dele depende apenas de duas palavras: passível e possível. E quando eu falo sobre simplicidade eu falo sobre isso: com pouco ela te traz o muito.

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