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    O dia do mal (Merlin #4) (Merlin #4) - A lenda do rei Arthur

    Mary Stewart

    Cavaleiro Negro
    2016
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-13: 9788592594022
    Português Brasileiro
    4.1
    8 avaliações
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    Nascido de uma relação incestuosa entre o rei Artur e sua meia- irmã, a perversa feiticeira Morgause, o bastardo Mordred é mantido em segredo. Um dia, é chamado a Camelot junto com os príncipes de Orkney, seus meio-irmãos, e torna-se o conselheiro mais con ável de Artur. Uma profecia os assombra e o destino culmina no Dia do Mal, quando traições e revelações levarão o Rei Artur a encarar a maior batalha de seu reino. Mais uma vez, a aclamada autora de A Caverna de Cristal, Mary Stewart, nos leva a perder o fôlego com sua releitura sobre os últimos dias de Camelot e a história do lho bastardo do rei Artur, Mordred.

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    Andreia Santana30/07/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Crônica arturiana focada na história de Mordred

    O dia do mal é um romance de 1950, da autora britânica Mary Stewart, best-seller no seu tempo, com obras de fantasia, principalmente as pautadas na recriação das crônicas arturianas, conjunto de narrativas sobre o rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Nesse romance cheio de drama e tragédias, ela foca a história da queda de Arthur na figura de Mordred, personagem que nas crônicas arturianas tanto aparece como sobrinho, quanto como filho ilegítimo do rei, uma criança nascida da relação incestuosa entre irmãos. Marion Zimmer Bradley, autora de As Brumas de Avalon, situa Mordred como uma espécie de "arma secreta" de Morgause, tia de Arthur e irmã da mãe dele, Igraine, para destruir o Grande Rei dos britânicos. O incesto que deu origem a Mordred, na saga de Bradley, teria sido cometido com Morgana, irmã do rei, quando ambos eram adolescentes, durante uma cerimônia para os deuses de fertilidade. As brumas de Avalon tem sua trama centrada na lenda a partir da figura de Morgana. Já a história de Mary Stewart transforma Mordred em protagonista de O dia do mal, que é como os personagens se referem a uma profecia de Merlin sobre a queda do rei considerado um guerreiro imbatível. Nessa versão de Stewart, Arthur, Morgause e Morgana são irmãos e o incesto é cometido com Morgause, que seduz o rei com o objetivo de ser favorecida por ele em poder e prestígio. O plano não sai como o esperado e Mordred é criado em uma vila de pescadores, nas ilhas Orkney, como uma criança plebeia, na cabana da família adotiva, que ele pensa ser a sua verdadeira já que desconhece a própria origem nobre. A relação dele com Morgause, mesmo depois de saber que ela é sua mãe biológica, é bastante tensa e difícil, como se ela fosse uma sombra pairando sobre a vida do rapaz. A versão de Mary Stewart da lenda segue o cânone arturiano, com protagonismo maior para os cavaleiros e seus códigos de honra e lealdade. As personagens femininas aparecem ora como antagonistas, traiçoeiras e pérfidas, Morgause e Morgana, ambas feiticeiras; ou coadjuvantes frágeis e dóceis, quase santificadas, como a rainha Guinevere, mulher de Arthur. Isso é um ponto desfavorável. No entanto, o cânone da lenda é misógino. Essa visão de uma Guinevere ultra religiosa e devotada ao marido se mantém como uma constante das lendas arturianas mesmo na versão de Marion Zimmer Bradley, que centra o protagonismo nas mulheres. O triângulo amoroso formado entre Arthur, Guinevere e Lancelot, com o romance dos dois últimos significando a ruina do rei, fica subentendido na versão de Mary Stewart. A ideia não é comparar as duas versões em termos de qual é superior à outra. Mas, como o texto de Stewart é mais antigo, cito as diferenças para quem conheceu As brumas primeiro. O romance de Mary Stewart é de 1950, enquanto As brumas de Avalon teve o primeiro livro publicado em 1979. Como o foco de O dia do mal é em Mordred, Mary Stewart humaniza o personagem e, com isso, conquista a simpatia do leitor para o príncipe bastardo, muito ambicioso e tremendamente azarado. Ele está sempre no lugar errado e na hora errada, sendo envolvido nas tramas dos irmãos Gawain, Gareth, Gaheris e Agravain, que aqui aparecem como os príncipes de Orkney e filhos de Morgause com o rei dessas ilhas. É interessante notar que muitos personagens canônicos das sagas arturianas mudam de nome, grau de parentesco ou papel nessa versão. Ávido por aprovação e por conquistar poder e honrarias diante do pai, Mordred também tece suas próprias teias para tentar fugir do destino atribuído a ele ao nascer. Segundo a previsão de Merlin, Mordred seria o causador do dia do mal e, mesmo sem querer, levaria o pai à morte. Apesar de todos os esforços, a má sina persegue o rapaz e nesse quesito, o drama de Mary Stewart é bastante fatalista. Ninguém escapa aos desígnios dos deuses, por mais que se rebele. Não é que Mordred vira santo nesse romance, mas a partir do olhar de Stewart para a história dele, o personagem ganha mais consistência e explicações para seus atos, torna-se mais complexo. Se não é um vilão, no mínimo, vira um anti-herói. Para quem conhece outras versões da lenda de Arthur ou é fã incondicional de As brumas de Avalon, O dia do mal pode não agradar. Mas, para quem se interessa em conhecer diferentes versões e possibilidades para uma mesma história e, no caso das crônicas arturianas, elas vêm sendo reescritas e reinterpretadas há séculos, a perspectiva apresentada pela autora é muito estimulante. O texto de Mary Stewart, embora mais apegado às fórmulas clássicas, é instigante e faz o leitor avançar pela saga sem perceber. O drama dos romances mais tensos em que sequências de mal entendidos detonam crises muitas vezes incontornáveis, é um trunfo dessa narrativa. Página a página, capítulo a capítulo, ficamos envolvidos com as intrigas palacianas, a atmosfera sempre mítica de Camelot, cenas de batalhas com os saxões, inimigos dos britânicos, e a ameaça ainda presente do Império Romano. No final do livro há um posfácio e uma nota da autora explicando as referências que ela usou para construir O dia do mal, como Le Mort d´Arthur (A morte de Arthur), de Malory, escrito no século XV; ou History of the Kings of Britain, de Geoffrey de Monmouth. Nesses textos, ela explica também as alterações que fez nas lendas canônicas ou em outras versões. As notas de Mary Stewart trazem ainda a cronologia dos fatos históricos, já que o Arthur histórico é considerado o rei que unificou a Grã-Bretanha. Completam o livro, ainda, uma mini biografia da autora, com a lista de seus outros romances, e uma nota do editor explicando sobre os Sídhe, povo féerico (seres mágicos) do folclore celta que é citado no romance. O dia do mal Autora: Mary Stewart Tradução: Cristina Fernandes Editora: Cavaleiro Negro, 2019 384 págs. E-book disponível para assinantes do Kindle Unlimited e do Skeelo

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    Mary Florence Elinor Rainbow Stewart

    Foi uma romancista britânica que desenvolveu o gênero de mistério romântico, apresentando heroínas inteligentes e aventureiras que poderiam se sustentar em situações perigosas. Ela também escreveu livros infantis e poesia, mas pode ser mais conhecida por sua série de Merlin , que atravessa a fronteira entre o romance histórico e a fantasia.

    35 Livros
    58 Seguidores
    Condado de Durham, Inglaterra

    Mary Florence Elinor Rainbow Stewart