É um cordel quixotesco, que eleva Carlos Prestes a um heroísmo quase messiânico, como se tivesse nascido para cumprir uma missão de defensor dos fracos e oprimidos.
O misticismo começa na infância, quando é mostrado como um menino preocupado com os pobres, fazendo bonecas para distribuição no Natal e preocupado com o país mergulhado em injustiças. O autor cita personagens históricos como Maria Quitéria, Antônio Conselheiro e General Rondon, em uma invocação de heroísmo que se projetaria em Prestes também.
Em breves considerações, passamos pelo ingresso no exército, o Tenentismo, a formação e excursão da Coluna Prestes pelo interior do Brasil entre 1925 e 1927. Tudo de forma pitoresca, citando-se alguns embates e a descrição de mulheres participantes.
Basicamente é uma narrativa heroica, em que Carlos Prestes é apresentado como o maior comunista do Brasil, sonhador e lutador.
Esse tipo de euforismo é perfeitamente viável ao cordel e, numa expectativa do que seria um dos pontos mais atrativos em minha leitura, me decepcionei com a obra, por não ter abordado o embate entre a Coluna e o famigerado bando do Lampião, coisa celebrada em outros folhetins do gênero.
Ah, essa ausência não poderia ser concebida na obra e suponho que o autor tenha tido essa escolha por ter sugerido um tipo de heroísmo aos cangaceiros no início do cordel. Sem contar que também não tenha desejado entrar na questão do Padre Cícero, ícone santo no popular, que estava também mancomunado nesse acordo entre o governo e igreja em apoio ao cangaceiro. Lampião recebeu uma carta de deputado local, foi apoiado pelo padre e foi municiado com armamentos para o embate. Mais adiante o deputado envolvido faleceu e o Cícero não recebeu mais o Lampião, não sustentando o acordo em que estava envolvido. Histórias deixadas de lado. Seja como for, essa ficela, mitificada em cordéis, deveria estar presente nesse também.
É o que acredito e o que percebi nessa leitura.