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    Alá não é obrigado -

    Ahmadou Kourouma

    Edições ASA
    2004
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9789724133140
    Português
    4.1
    5 avaliações
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    Prémio Renaudot Prémio Goncourt des lycéens Alá não é obrigado é uma obra tão peculiar quanto o seu protagonista e narrador, Birahima, uma criança-soldado que assiste à morte da mãe e que, para sobreviver, sai da sua aldeia em busca da tia, a única pessoa que pode cuidar dele. Da Costa do Marfim à Serra Leoa, passando pela Libéria, este órfão de “dez ou doze anos” irá passar por diversos exércitos de guerrilheiros, cujos líderes constituem uma riquíssima paleta de personagens, inesquecíveis pelas piores razões: há loucos e sádicos, psicopatas e figuras ridículas. A traição, a morte, a tortura e a mutilação são lugares-comuns por aquelas paragens. O próprio Birahima não é inocente nem culpado: é apenas uma criança que já viu demasiada violência e morte e de quem, à partida, se poderá pensar já não possuir qualquer noção do bem e do mal. Mas Birahima ainda consegue fazer essa distinção; só que as suas principais preocupações prendem-se com coisas tão fundamentais como sobreviver, alimentar-se, encontrar um sítio para viver e, acima de tudo, evitar ser assassinado. Alá não é obrigado é um livro duro, poderoso, intenso, escrito por um autor que muito nos disse sobre a África contemporânea: as estranhas alianças entre chefes de Estado respeitáveis e criminosos de renome, a corrupção generalizada, a culpa, as boas intenções e as dificuldades das Nações Unidas e os desvios sofridos pelos mantimentos enviados pelas organizações não-governamentais. Em suma, uma realidade terrível que o autor nos descreve pela voz inesquecível de uma criança.

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    Valéria Cristina Ribeiro picture
    Valéria Cristina Ribeiro17/12/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    As crianças e a guerra

    “Alá Não É Obrigado”, escrito por Ahmadou Kourouma, é uma obra marcante que combina ficção e crítica social para narrar as experiências de Birahima, um jovem órfão da Costa do Marfim que se torna uma criança-soldado na África Ocidental. Publicado em 2000, o romance é conhecido por seu tom direto, humor ácido e denúncia das brutalidades que assolam a região. Birahima, o protagonista, perde a mãe ainda jovem e, em busca de um futuro incerto, acaba sendo recrutado como soldado em meio a guerras civis que devastam países como Libéria e Serra Leoa. A narrativa é conduzida por sua voz, marcada por uma mistura de inocência infantil e brutalidade adquirida pela convivência com a violência extrema. Ele conta sua história de forma crua, mas também repleta de reflexões irônicas e cínicas, mostrando como o caos da guerra afeta indivíduos e comunidades. Ao longo da trama, Birahima aborda questões como a exploração de crianças em conflitos armados, o colapso das estruturas familiares e a corrupção de líderes políticos e militares. Ele alterna entre o humor e o horror, expondo o absurdo da guerra e da desumanização que ela provoca. O livro mostra como a guerra rouba a infância de Birahima e de tantas outras crianças, transformando-as em instrumentos de violência. Ainda, Kourouma expõe a hipocrisia dos líderes africanos, a exploração colonial e as consequências do imperialismo no continente. O título faz referência à ideia de que Deus (ou Alá) não justifica nem exige as atrocidades cometidas em seu nome, uma crítica à manipulação religiosa para fins de poder. O autor utiliza uma linguagem rica, direta e muitas vezes sarcástica, refletindo a perspectiva de Birahima. “Alá Não É Obrigado” é uma denúncia contra as injustiças sociais e a exploração de crianças em zonas de guerra. Kourouma dá voz a um tema frequentemente ignorado, revelando a complexidade e a humanidade por trás das estatísticas de conflitos africanos. A obra ganhou o Prêmio Renaudot eo Prêmio Goncourt des Lycéens, consolidando-se como uma leitura essencial para quem busca entender as dinâmicas sociais e políticas da África contemporânea. Apesar do tom às vezes leve de Birahima, a história é profundamente impactante, forçando o leitor a confrontar as realidades da guerra e da perda de inocência. É uma obra que questiona nossa empatia e compreensão sobre os conflitos globais e os legados do colonialismo.

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    Ahmadou Kourouma profile picture

    Ahmadou Kourouma

    Ahmadou Kourouma est né en 1927 en Côte-d’Ivoire. Après avoir vécu et travaillé dans plusieurs pays d’Afrique de l’ouest et pris sa retraite en 1993 dans son pays natal, il vivait en « exil » en France depuis 2000. Avec son premier livre,Les Soleils des indépendances (Le Seuil, 1976), il fut reconnu comme l’un des écrivains les plus importants du continent africain. Il a égale-ment publié Monnè, outrages et défis (Le Seuil, 1990) et Allah n’est pas obligé (Le Seuil, 2000), roman pour lequel il a reçu notamment le prix Renaudot. Le prix Jean Giono 2000 lui a été attribué pour l’ensemble de son œuvre. Ahmadou Kourouma est mort à Lyon le 11 décembre 2003.

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    5 Seguidores

    Ahmadou Kourouma