O Sargento, o Marechal e o Faquir -

    Rafael Guimaraens

    Libretos
    2016
    271 páginas
    9h 2m
    ISBN-13: 9788555490118
    Português Brasileiro

    O Sargento, o Marechal e o Faquir”, de Rafael Guimaraens, resgata a trajetória do sargento Manoel Raymundo Soares, assassinado no chamado “Caso das Mãos Amarradas”, que completa 50 anos, e primeira vítima fatal oficial do golpe militar. Utilizando uma narrativa de romance político-policial, o autor traça um perfil do personagem, nascido de uma família muito pobre de Belém do Pará, que se mudou para o Rio de Janeiro para servir ao Exército. Autodidata, culto, politizado e amante da música clássica, se tornou um dos líderes do movimento dos sargentos pelas reformas de base, durante o Governo João Goulart, e contra a ditadura implantada em 1964. Detido em uma emboscada, em Porto Alegre, traído por um ex-faquir e informante da repressão, resistiu a dez dias de torturas ininterruptas sem delatar seus companheiros. As investigações responsabilizaram o DOPS gaúcho pelo crime, mas somente 30 anos depois sua viúva conseguiu responsabilizar a União pela morte de Soares. Inclui um caderno de fotos e reprodução de documentos relativos ao caso.

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    Daniel de Oliveira Ferreira picture
    Daniel de Oliveira Ferreira01/09/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Sargento Quase Revolucionário

    É importante salientar que, para mim, o que houve em 1964 não foi uma revolução e sim um golpe militar. Então, o termo revolucionário no título significa que o biografado era, em algum grau, contrário ao regime imposto à força. Talvez, se tivesse tido oportunidade, o sargento Manoel pudesse ter se enveredado no movimento de resistência à ditadura já que alguns de seus colegas participaram do movimento conhecido como Guerrilha do Caparaó. Manoel, de origem humilde e bem instruído, fez da carreira militar a base para conseguir melhorar de vida. No conturbado período entre a renúncia de Jânio Quadros e o governo de João Goulart Manoel participava ativamente do Clube de Subtenentes e Sargentos na busca por melhores soldos e menor discriminação em relação aos oficiais. Aproximou-se, por pouco tempo, do Partido Comunista e apoiou o movimento de reformas de base propostas por Jango. Com o desfecho do golpe militar, o sargento desertou de sua unidade no Mato Grosso pois estava na lista dos que seriam detidos. Sua mulher seguia morando no Rio de Janeiro enquanto ele se mudava para Porto Alegre. Sua transferência para a serra do Caparaó estava acertada, mas antes o Sargento queria aproveitar a visita do Marechal presidente para distribuir panfletos com os dizeres: Fora Castelo e Abaixo a Ditadura” O seu erro foi acreditar, ingenuamente, que um malandro conhecido por se exibir numa cama de pregos como Faquir poderia ajudá-lo na tarefa de colar os panfletos na cidade. Edu era informante do DOPS. Foi sua última ação em liberdade. Preso e torturado, foi encontrado nas águas do Guaíba com as mãos amarradas às costas. Leia esse e outros livros sobre a ditadura militar brasileira pois conhecer o passado é a melhor forma de não deixar a história se repetir!!

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