Li mais por curiosidade que por vontade de ler. Tomei conhecimento sobre essa história por meio de comentários sobre outros livros com personagens femininas. O autor, Manuel de Oliveira Paiva, é pouco conhecido embora sua obra seja considerada precusora do Modernismo e do Regionalismo. Apesar da linguagem difícil consegui avançar na leitura em pouco tempo, não achei a história em si chata, a linguagem é um pouco enfadonha, mas isso não torna todo o resto desinteressante. O autor registra a fala coloquial dos sertanejos mais castigados pela seca mesclada com a fala provinciana dos que viviam nas vilas e nas povoações mais desenvolvidas. Algumas expressões do vocabulário sertanejo eu já conhecia por estar em contato com elas.
A história de Dona Guidinha do Poço me fez lembrar da história de uma outra personagem, a jovem Inocência do livro do Visconde de Taunay. As histórias ambientam-se em locais relativamente parecidos: os extremos sertões do Brasil, o cenário serve como retrato do povo sertanejo e dos seus costumes. O que chama a atenção em ambos os livros é a condição moral da mulher. Guidinha do Poço é geniosa e rica. Apenas essas características parecem marcar a personagem ao longo de todo o romance. Fiquei curiosa para saber como o marido dela é assassinado. Não é uma história de amor, de paixões ardentes ou de uma bela jovem de pele alva, cabelos esvoaçantes e alma pura. Guidinha é referida não pela beleza, mas pelo gênio forte, pelas riquezas além se ser o amparo para os pobres da região. Feiticeira, adúltera, prostituta. Pela narrativa todos esses atributos cabem a Dona Guidinha do Poço.