ANDRADE, Mário de. Amar, verbo intransitivo: Idílio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013.
O livro de janeiro do nosso projeto pessoal de resgatar aquilo que está encravado na estante é “Amar, verbo intransitivo” um romance de Mário de Andrade, publicado em 1927. E nesta obra, se deparamos com as desventuras de um jovem chatissímo, Carlos, e de Elza, a governanta eugenista.
A matemática realizada por um pai preocupado com as dores de cabeça que um jovem expelindo hormônios do nariz pode causar, acaba culminando em um tórrido primeiro amor platônico e orquestrado. A forma como o início da sexualidade do menino é tratada enquanto um processo resolvível, equivalente a um curativo, que deva ser expelido de forma rápida, contrasta com todo o moralismo da sociedade da época.
O uso da mão de obra dos imigrantes, que, ao mesmo tempo em que se viam enquanto superiores aos costumes brasileiros, mas acabavam por estar submetidos a condições precárias de trabalho, é o plano de fundo do idílio às avessas elaborada por Mário. Que descreve uma São Paulo em crescimento, apesar das contradições.