Máscaras (Estações Havana: verão) -

    Leonardo Padura

    Boitempo
    2016
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788575595206
    Português Brasileiro

    No dia 6 de agosto, quando a Igreja católica celebra a Festa da Transfiguração do Senhor, o corpo de um travesti é encontrado em meio ao denso arvoredo do Bosque de Havana, com o laço de seda vermelha de sua morte ainda atado ao pescoço. Para a frustração de Conde, encarregado do caso, aquela mulher “sem os benefícios da natureza”, vestida de vermelho, é Alexis Arayán, filho de um respeitado diplomata cubano. A investigação se inicia com a visita de Conde ao impressionante personagem do Marquês, homem das letras e do teatro, homossexual desterrado em sua própria terra, espécie excêntrica de santo e bruxo, culto, inteligente, astuto e dotado da mais refinada ironia. Pouco a pouco, o Marquês apresenta Conde a um mundo sombrio e povoado de seres que parecem todos conhecer a verdade sobre Alexis Arayán. Mas onde, em semelhante labirinto, Conde encontrará sua própria verdade?

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    Adriano Soares12/09/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Acredito que em alguns momentos ele trocou a criticidade por certas representações caricatas

    Nao achei o livro monótono ou arrastado, entretanto, o achei bastante problemático em diversos pontos. O primeiro, o que me incomodou não foi fato de o autor produzir uma leitura critica sobre a sociedade cubana (ate ai ok), mas ele simplesmente decidiu escrever um livro sobre a temática LGBT e no livro todo vemos noções equivocadas (e caricaturadas) do que sao pessoas transsexuais ou travestis, concepção essa compartilhada por muitos setores da sociedade brasileira, por ex, de que ser travestir é por um vestido e passar batom, apenas. Esse ideário é uma caricatura, o ponto de em todo o livro AS travestis serem chamadas de ''os travestis'', o autor ignora diversos debates que existia na época da escrita do livro (anos 90) e que existiam entre a comunidade LGBT cubana, o autor usa a identidade travesti de maneira transfobica no livro todo, no começo pensei que isso se dava porque o próprio personagem principal, um policial cubano, machista e homofóbico, seria um homem que reproduziria todos esses esteriótipos e ao longo da história os personagens LGBTs questionariam essa sua visão, mas isso não acontece. O personagem gay que Padurra constrói vai muito mais no sentido de reforçar esse imaginário e dar uma ''base teórica'' (fraquissima) para que o policial entenda as questões sobre as travestis, entretanto, essa base teórica é recheada de uma mistura de misticismo e tals. Faco essa critica porque sei que o autor era um homem com acesso a informação, tinha acesso ao debate, e o seu livro mais ajuda do que atrapalha esse segmento populacional ja tao violentado. Nao sei se em algum momento posterior ele fez uma critica a esse livro, ou se pontuou alguma critica, se reformularia algum conceito do livro e tals, mas fica a critica. Isso não quer dizer que o livro todo é de ruim, longe disso, a narrativa é envolvente, traz diversos questionamentos, criticas e o cotidiano vivenciado pela população LGBT. Entretanto, não acho que essas questões que trouxe para a resenha sejam ''secundários'', por isso o fiz.

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