Milton Rosendo — Caos-Totem nasceu pelos idos de 2008/2009, durante a escrita da minha tese de doutorado sobre Invenção de Orfeu, do Jorge de Lima. Estava, àquela época, lendo textos como Os Cantos, de Ezra Pound, Anábase, de Saint-John Perse, entre outros. Fiquei contaminado pela ideia de uma escritura ensandecida, colossal e sem linearidade, algo que desnorteasse o leitor, que o provocasse, que o perturbasse. A construção do poema foi uma aventura caleidoscópica, desordenada, eu o ia executando em blocos, imagens mais ou menos desconexas. Não tinha ideia nenhuma para onde eu o levaria… na verdade, fui por ele levado. O entorpecimento era uma meta. Caos-Totem é um drinque infernal. Com ele, digo ao leitor: Toma, bebe e esquece a razão!

