Direito e Literatura

    Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy

    Juruá
    2004
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-10: 8573948728
    Português Brasileiro

    Literatura e Direito: Anatomia de um Desencanto, Desilusão Jurídica em Monteiro Lobato é a obra que se propõe a investigar o que a arte literária pensa do direito, da justiça e dos operadores jurídicos. São impressionantes os resultados do trabalho. O autor pesquisou Aristófanes, Morus, Erasmo, Rabelais, Gregório de Matos, Eça de Queirós, Martins Pena, Graça Aranha, Humberto de Campos, Lima Barreto, Jorge Amado, entre outros, urdindo a tessitura que culmina em Monteiro Lobato, o mais desiludido dos juristas literatos. A pesquisa, orientada por Luiz Antonio Rizzatto Nunes, é marcada pela interdisciplinaridade, pela cética abordagem do jurídico, pela altíssima dose de crítica literária, pela ousadia. O autor aponta apreensões que o trato com a justiça suscita, captando sentimento universal, que despreza latitudes e cronologias. Com base em riquíssima tradição literária, o trabalho demonstra a inquietação que toma conta de nova geração de juristas, comprometida com a ética, com a democracia, com a emancipação do homem, vencidos tempos mais positivistas, ortodoxos e acomodados.

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    Lucas Aparecido Mota02/11/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Boa interdisciplinaridade

    O autor consegue demonstrar sua tese, entretanto trabalha a fonte de uma maneira que nos faça entender a sua mensagem, chega a dar a impressão que força um pouco as fontes, porém isso não muda a ideia central, muito bem trabalhada! O autor tem um gosto pela palavra excerto, não consegue usar um sinônimo o livro todo, e isso deixa um pouco redundante, mas não atrapalha a leitura. Sobre a obra em si: grande apanhado registra a conexão entre direito e literatura a partir da perspectiva de que os literatos se desencantam com o direito e passam a criticá-lo e satirizá-lo (tanto o direito quanto a justiça) em sua obra, o que serve como reflexo da visão literata e societária a respeito do direito. Mais aprofundada é a análise do desencanto na obra Lobatiana, onde o autor vai a fundo na obra do ex-promotor de Areias/SP para demonstrar o quão desencantado ele - e todos os autores apresentados durante o percorrer das 160 páginas do livro - era com o mundo jurídico. Em suma, o autor defende sua tese e a comprova através dos trechos da obra de Lobato. Demonstra que há um movimento dos autores renomados da literatura em sempre questionar o mundo jurídico e a justiça de suas sociedades contemporâneas, desde Sófocles até Jorge Amado, demarcando a profunda desilusão que Monteiro Lobato, que se envolveu no mundo jurídico sendo promotor, teve com a grande área da ciência jurídica.

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