Já li alguns livros do gênero porque me interessavam ou porque precisei dentro da fonoaudiologia. Esse, no entanto, foi escolhido no desespero.
Fui buscar no livro uma “luz”, algo que eu pudesse fazer para ajudar meu filho e, consequentemente, me ajudar também. Quem cuida de criança (e se importa) sabe o quanto é desgastante esse duelo que nos deixa entre o “estou fazendo demais?” e o “estou fazendo menos do que deveria?”.
É extremamente difícil saber se nossas atitudes estão fazendo a criança entender os limites, se poderia ser feito mais ou deveria ser feito menos.
Gostei que o livro não te garante nada. Ele se propõe a mostrar como é possível agir na tentativa de estabelecer limites nos momentos em que eles devem ser impostos, mas, de forma a promover o desenvolvimento da criança e evitar dramas desnecessários.
Importante destacar, que o “drama” mencionado se refere à situação toda que é criada quando temos uma criança em crise e um adulto tentando contornar a situação, estabelecer limites e acalmar a criança, tudo ao mesmo tempo. Em momento algum se refere ao que a criança sente. Muito pelo contrário, os autores sempre repetem que todos os sentimentos são válidos e devem ser considerados, principalmente, porque muitas vezes, a criança não sabe o que está sentindo e cabe ao adulto ajudar.
Em muitos momentos os autores falam que provavelmente não será possível agir da forma proposta, porém, a ideia é justamente ir se aperfeiçoando.
Um ponto que eu amei, foi quando eles ilustraram uma situação em que no meio do caos e correria do dia a dia, a criança simplesmente “resolve” tornar tudo mais difícil. Eu fiquei tentando aplicar as técnicas do livro, e nada do que eu pensava me convencia de que mesmo empregando as soluções elaboradas, iria obter êxito. Algumas páginas depois, os autores retomam a história e contam o que a mãe fez, falando sobre todas as técnicas empregadas. Nesse momento, eu já queria desistir da leitura, mas, então, no desfecho do caso contado, eles dizem que nada surtiu efeito. Porém, apesar do “drama” não ter sido evitado em sua totalidade, ele foi minimizado.
No caso apresentado, a mãe conseguiu fazer com que aquele acontecimento, mesmo sem o desfecho esperado, tenha servido para o adulto ter se mostrado disponível, aberto aos sentimentos da criança, porém, mantendo firme sua posição sobre algo que a criança desejava fazer e não era possível naquele momento, impondo de maneira respeitosa e amorosa os limites. Ainda, a criança, posteriormente, pode ser capaz de lembrar do acontecimento, sabendo que o desejado por ela não era possível, isso causou sentimentos que o adulto a ajudou a compreender (mesmo sem conseguir conter) e, então, é sempre um passo extra para que se crie confiança mútua.
Outro ponto muito bom do livro é quando falam sobre castigos que envolvem violência (seja física ou emocional). Os autores praticamente comprovam que fazer ameaças, abalar emocionalmente a criança ou mesmo agredir fisicamente, são técnicas que não funcionam se o objetivo é educar pessoas que irão se desenvolver de forma saudável em todos os aspectos.
Achei muito relevante o destaque de que qualquer tipo de agressão, mesmo a menor delas, ainda assim é uma agressão e a criança deve entender que agredir qualquer pessoa é inadmissível, sendo difícil isso acontecer quando ela a sofre. É um excelente ponto para aqueles que acreditam que “só” um tapinha não faz mal (eu conheço muita gente assim).
O livro traz muitos pontos dentro da neuropsicologia, de forma simples e compacta, mas, que ajudam a situar muito bem o leitor sobre o cérebro infantil e a razão pela qual algumas ações funcionam e outras não.
Gostei muito da abordagem do livro e considerando que na educação infantil devemos levar em conta a vida em sociedade, escola etc., não o considerei “perfeito” apenas porque o “5 estrelas” seria aquele que refletisse a realidade média do Brasil (por mais difícil que isso seja). Porém, como nunca encontrei nada de autores brasileiros que eu me identificasse tanto, coloco esse livro entre os melhores que já li sobre disciplina (sem dar o peso desnecessário à palavra).