Os Doze Trabalhos de Hércules - 1 a 6 -

    Monteiro Lobato

    Brasiliense
    1995
    129 páginas
    4h 18m
    ISBN-13: 9788511190274
    Português Brasileiro

    O pessoal do sítio se transporta para o Mundo Antigo. Em suas aventuras, eles ajudam Hércules, o grande herói nacional da Grécia, a resolver as primeiras seis de suas doze tarefas: O leão de Neméia, A hidra de Lerna, A corça de pés de bronze, O javali de Erimanto, As cavalariças de Augias e As aves do lago Estínfale. (fonte: contracapa do livro)

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    R .19/12/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Publicado em 1944 - Li na Edição Brasiliense de 2002

    A mitologia grega devia ser um estudo prazeroso para o Lobato. Vimos isso no "Minotauro", em que a Grécia é visitada em aspectos históricos e mitológicos de maneira sensacional, com informações e análises que só poderiam vir de um expert. Agora o autor continua essa aventura explorando as façanhas do Hércules, em que os chamados doze trabalhos são acompanhados in loco pelos pica-paus Pedrinho, Visconde e quem não poderia faltar, dona Marquesa de Rabicó. Gosto do texto de Lobato porque procura ser fiel ao objeto de estudo, não deixando de citar informações que poderiam ser obliteradas ou reconfiguradas considerando-se o teor de um livro infantil. A mitologia grega é exposta sem omitir trapaças e mau-caratismo dos mitos. Tudo é colocado em provocação à opinião da turminha, que se posiciona no que lhe parece positivo ou negativo. Isso é legal, é educação, é estímulo ao pensamento. Obviamente quando em um contexto trabalhado com cuidado, como é o caso desse livro. Outra coisa que gosto é que Lobato é detalhista, apresentando os fatos com riqueza de informações, mesmo com essa mitologia tendo coisas bruscamente absurdas, tipo uma dor de cabeça em Zeus e de repente, pá, leva uma cacetada e nasce Palas Atena com escudo, capacete e tudo. Coisa para deus ex-machina, mas em que Lobato, mesmo com essas loucuras, procura instigar algo na turminha, que responde com questionamentos para a lucidez, indagando como os gregos davam ouvidos ou contentavam-se com certas explicações para alguns fatos. Garanto que no nível de detalhamento do autor muito adulto se surpreende. No meu caso, por exemplo, entre as muitas coisas que descobri, não sabia que Hércules nascera como Alcides e teve um irmão gêmeo (no livro é assim). As aventuras do Hércules tinham sido acompanhadas em parte no "Minotauro" (a luta contra a Hidra de Lerna) e do desejo de ver as outras façanhas surgiu esse livro, dividido em dois volumes sobre os doze trabalhos. Os pica-paus não se resignam em ser espectadores, se misturam nos rumos da aventura, atuando também como influenciadores do herói, principalmente a Emília, a dadeira de ideias. KKKK! O Hércules é um estereótipo de ignorância, confuso com informações, e que acaba percebendo que ouvindo a turminha (representantes do conhecimento) e refletindo em pontos antes não valorizados é algo que o torna mais sábio. Viva a educação! Imagina só que os pica-paus até incutiram nele o apego à razão antes da emoção, quando o herói resolvia tudo na base do quebra-pau (algo louvável em seu meio, e que para muita gente é assim também). Olha, ele até perdeu alguns preconceitos, como a inimizade com os centauros ou desapego aos estudos (os heróis nesse livro são citados como analfabetos em razão de valorizarem somente as técnicas de combate). Emília o chama de Lelé e em sua mentalidade o vê como um burrão por seu desconhecimento. Claro que as personagens são de épocas diferenciadas na visão do mundo, mas em paralelos assim o autor, nessa brincadeira, vai tornando notórias muitas coisas, como o valor da educação. As façanhas mostradas foram: as lutas contra o Leão de Nemeia, Hidra de Lerna, Corça dos pés de bronze, Javali de Erimanto e a limpeza das cavalariças do rei Augias. Mas a história não se prende nisso, está recheada de outros relatos mitológicos, como os sátiros e ninfas, Hefesto, Atlas, os centauros, a fênix, Circe e outros mais. Algumas curiosidades: o relato que achei mais legal foi o primeiro trabalho de Hércules (luta contra o Leão de Nemeia) que tem ares de suspense e terror; a parte sobre a Hidra não é recontada (substituindo-se por descobertas dos pica-paus sobre outros mitos - o drama da luta está lá no "Minotauro"); Visconde se apaixona por uma camponesinha (que gostava do Pedrinho) ficando estranhamente abobado; e Emília e o sabugo são citados como gente, ainda que singulares, e não meros bonecos. Mais um belo livro do Lobato! Curti e também vou atrás da adaptação em quadrinhos. Ê, laiá! Agora vem o último livro de minha maratona do Sítio, a segunda parte dessa obra. O vigésimo quarto da coleção, o único que ainda não li. Simplesmente inédito, mesmo o tendo em minha biblioteca há anos... Guardei como um vinho e fiz a maratona para chegar a essa leitura... Ê, laiá! Veeeeeeeeeeeeeeeeeeeeenha!! KKKKKKK!

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