"Onde há o espírito, não é possível matar a insaciedade com a finitude da matéria" [Capítulo X: Decepção de Freud]
Indo além do macaco cego de Schopenhauer, da corda esticada de Nietzsche, Freud dá poder ao homem de ponta-cabeça: não é mais o intelecto que governa o coração e os instintos, mas este último, agora, domina o homem. O Pai da Psicanálise cria uma metodologia para justificar seu próprio comportamento imoral a partir desse sistema anticristão mascarado sob o nome de ciência.
Os casos da franco-marciana Helena Smith, o mérito indevido sobre a descoberta do Inconsciente — que já encontrava suas raízes em Santo Agostinho de Hipona — e as dúvidas do próprio Freud sobre sua ciência são grandes marcos da obra, porém imediatamente atrás do forte tapa de Pe. Antônio acerca da questão doutrinária tangente à religião.
"Os homens repudiam a Deus porque se julgam, em geral, uns semideuses, e, por um paradoxo incrível, nesse orgulho descomedido, acabam aniquilando a própria grandeza e afirmando-se simples animais sob a escravidão dos instintos mais aviltantes e rasteiros?" [Capítulo XIII: Absurdos da hipótese freudiana da moral]
Essa bagunça na vida do próprio Sigmund e de suas vítimas recordou-me a "Aposta de Pascal": o mais inteligente é apostar na existência de Deus, porque se Ele existe, você alcança a Vida Eterna, e se ele não existisse, você teria vivido uma vida moralmente reta.
"Há um fenômeno interessante nas doutrinas que procuram a negação de Deus. É a fuga do homem. É a evasão do interior. Jamais o negador de Deus paira e reflete dentro de si mesmo. Parece que o mundo interior é um tumulto de Deus. Há clamores que solicitam a sua presença. Há vácuos que só ele pode encher. Há ascensões insuportáveis. Há gritos de incomensurável que nos impõem a sua necessidade. E o homem que fica dentro de si, mesmo perdidamente anti-humano, há de senti-lo e não logrará a negação pacificadora do eterno e do infinito?" [Capítulo XI: Freud e a religião]