A escolha do tema da Educação tem muitos significados para o Conselho Federal de Psicologia. Talvez o mais importante nos remeta à própria história da Psicologia no Brasil, que deu seus primeiros passos nesse campo e, ao longo do tempo, transformou seu percurso de partícipe no projeto normalizador de comportamentos e culpabilizador de indivíduos e conflitos com o sistema educacional para um papel crítico desses mesmos processos e promotor de autonomia do sujeito em seus contextos social, histórico e cultural. Enquanto a Psicologia mudava seus rumos, a sociedade brasileira também o fazia. O processo democrático restabelecido no país após o fim da ditadura militar e a construção de projeto de inclusão social em curso trouxe para a cena os desafios de políticas públicas de qualidade, voltadas para a maioria da população, respeitando as diversidades e as singularidades de seus atores e promovendo cidadania e liberdade. A política pública de Educação é, sem dúvida, um dos mais im- portantes desafios para a sociedade brasileira, porque tem histórico de reforçar desigualdades e de excluir, seja dificultando o acesso ao conhecimento e aos espaços de trocas, seja na forma autoritária de transmitir saber. Temos no horizonte a primeira Conferência Nacional de Educação, convocada para abril de 2010, com o tema Construindo o Sistema Nacional Articulado de Educação e o Plano Nacional de Educação, suas diretrizes e estratégias de ação. O documento de referência da conferência, divulgado pela comissão organizadora, fundamenta-se no princípio da universalização e na qualidade social da educação, da básica à superior, salientando sua função social e apontando o papel do Estado na garantia do direito à educação de qualidade para todos. A Psicologia, por meio dos psicólogos, deve se apresentar nesse debate. Pautamos nossa inserção em todos os espaços educacionais, na construção de um projeto de Educação que consiga superar o fracasso escolar. Para isso, é necessário romper com práticas profissionais que medicalizam esse fenômeno social. Algumas conquistas merecem ser mencionadas, entre as quais o Projeto de Lei Complementar nº 60/2007, que prevê a inserção do psicólogo e do assistente social nas escolas para atuar em perspectiva crítica, rompendo com a visão patologizante das diversas formas de expressão de comportamento. Está colocado o desafio. Nesse sentido, o debate não se esgotará neste seminário. Ele precisa continuar, para que possamos pensar em outras formas de inserção da Psicologia, que venham a contribuir para superar as diferentes formas de inclusão marginal em contextos educacionais formais, informais e especiais. Humberto Verona − Presidente do Conselho Federal de Psicologia Fonte: http://www.crpsp.org/site/

