Memórias De Índio - Uma Quase Autobiografia

    Daniel Munduruku

    Edelbra
    2016
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9788555900167
    Português Brasileiro

    Nesse livro, o premiado autor indígena Daniel Munduruku convida seus leitores a mergulhar no rio de sua própria história. Em breves crônicas, cada capítulo está repleto de memórias e aprendizados, narrados afetuosamente. As vivências da infância, os anos no seminário, a descoberta do amor e de si enquanto escritor são abordadas sob as referências e ancestralidades da cultura munduruku. Tudo (quase) verdade.

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    Ana Sá22/09/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Grande nome da literatura indígena brasileira

    Eu conhecia o Daniel Munduruku do livro "Crônicas de São Paulo", em que ele nos convida a ter um novo olhar para os lugares da capital paulista que levam nomes de origem indígena, e do livro "O caráter educativo do movimento indígena brasileiro", que nos mostra tudo o que o país aprendeu e tem a aprender com os movimentos indígenas. Essa experiência já foi suficiente para despertar meu interesse por sua (quase) autobiografia, sobretudo por saber que ele é um dos principais nomes na consolidação do que entendemos hoje por "literatura indígena brasileira". Como ele mesmo explica, ele não foi o primeiro autor indígena, mas o primeiro a escrever literatura para crianças não indígenas (para quem não sabe, as literaturas indígenas surgem bastante associadas à necessidade de se produzir material didático para as escolas indígenas de ensino bilíngue, por isso, de início, havia muito mais textos produzidos para crianças indígenas, do que para crianças não indígenas). "Memórias de índio" é, como todo texto de Daniel Munduruku, um livro de leitura fácil e prazerosa. Sempre me sinto conversando com ele, e não lendo seus escritos. Essa obra me prova o que já sei: nunca o nosso pensamento está suficientemente descolonizado, pois me vi muito surpresa com aspectos de sua biografia, tais como a sua relação com organizações católicas (isso foi muito interessante de conhecer!). Diversas passagens prendem a atenção: a experiência de sair da floresta e ir para a escola dos "brancos", a leitura ímpar que Daniel Munduruku faz sobre o ambiente universitário, o texto de fechamento que esclarece algumas opções do autor aos leitores. Recomendo a leitura, por tudo que o Daniel Munduruku significa, pelo fato de alguns capítulos nos forçarem a "desentortar" o pensamento. Certos pontos com certeza ficarão na minha memória, me lembrando de que a descolonização da nossa forma de ver o mundo exige um exercício constante... Só não vou dar cinco estrelas porque prefiro autobiografias mais intimistas/confessionais e achei que o Daniel Munduruku se escondeu demais (rs). Obs.: tenho uma memória afetiva muito legal envolvendo o autor... Certa vez, calhou de eu ter que dar uma aula sobre o Brasil para alunos do Ensino Fundamental II em Portugal... Pois bem. Decidi falar sobre a capital do meu estado, São Paulo, e fiz isso baseada nas crônicas de quem? Isso mesmo! Teve literatura indígena na escola do colonizador! 😅 Foi bem legal, apesar da minha ousadia! [Aliás, professores/as: dá sempre muito certo trabalhar Munduruku em sala de aula, e ele aceita visitar escolas!] #ficaadica

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