Uma grande amiga minha me disse uma vez que quando estamos caçando livros, a capa e o título são dois dos fatores principais para nossa escolha. Isso é porque é através desses dois quesitos que vamos nos interessar em pelo menos ler a sinopse do livro e ver do que ele se trata.
Então, eu fiz tudo certinho quando escolhi O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares como uma das minhas leituras do mês de fevereiro. O título era bom, a capa era legal e a sinopse parecia bem interessante: algo envolvendo crianças especiais (que mais pareciam aberrações), a Segunda Guerra Mundial e fotografias bizarras espalhadas pelo texto.
Narrado em primeira pessoa, o livro conta a história de Jacob, um garoto rico e admirado com as aventuras narradas por seu avô, um herói de guerra. Jacob cresceu ouvindo o avô falar sobre um lugar onde crianças peculiares viviam juntas, sobre monstros à espreita e aventuras mil. Quando o avô de Jacob aparece morto, o jovem embarca numa aventura para descobrir que tudo o que ele ouviu desde criança era verdade.
A ideia por trás de O Orfanato da Srta. Peregrine é muito boa, e se ela aparecesse no livro, ia ser melhor ainda. Explico. O livro, assim como muitos atualmente, sofre com a maldição das séries. Parece que toda a história agora tem que ser contada em três, quatro livros, e nunca num livro só. O Orfanato da Srta. Peregrine é assim também. Parece que estamos lendo um prólogo interminável, que só libera algumas informações a respeito do que vamos ver daqui para frente, e termina quando devia estar começando. Não tem cara de uma obra acabada, pronta. E isso é um saco.
Com personagens pouco (ou nada) interessantes, o livro vai se costurando entre saudosismo, reviravoltas previsíveis, uma história de amor pouco inspirada e sequências de ação corriqueiras. Tenta criar uma mitologia que mais parece um apanhado de tudo o que já foi mostrada em Harry Potter e copiado desde então, e deixa de lado o rico material que poderia ser criado a partir das crianças peculiares. Quem são elas? O que elas sofreram na vida? Como é ser tão diferente num período tão difícil quanto a Segunda Guerra Mundial?
E aí tem as fotos. Inicialmente eu pensei que as fotos presentes no livro ajudariam a contar a história. Que as fotos conteriam detalhes ou informações complementarem aos capítulos. Mas isso é um engano. As fotos, apesar de serem muito boas, são meramente ilustrativas, representam momentos descritos no livro. É como ler um livro com gravuras.
É triste dizer, mas embarquei na leitura com gosto, mas a cada página virada, a decepção tomou conta. O Orfanato da Srta. Peregrine é mesmo uma ideia extraordinária, mas é contada de forma tão ordinária que chega a dar preguiça.
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