Vaticano II - Ruptura Ou Continuidade? -

    Pe. Paulo Ricardo

    ECCLESIAE
    1969
    48 páginas
    1h 36m
    ISBN-13: 9788563160003
    Português Brasileiro

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    Emanuel Müller10/12/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    É um livro sucinto, mas bom de ser lido.

    Este livro é curto, mas muito bem escrito e esclarecedor! Esta obra é uma transcrição de uma de suas aulas, e como toda a aula do Pe. Paulo Ricardo, estas duas aulas, que compõe este livro, são preciosas. Acredito que esta resenha possa gerar desavenças e críticas, sobretudo de alguns irmãos tradicionalistas, mas trago aqui o que aprendi com o padre, e acredito que seu posicionamento é bem católico e equilibrado, tal como a Igreja almeja, o equilíbrio. E “esse equilíbrio faz parte do catolicismo” (AZEVEDO JR, 2009, p. 36). Padre Paulo Ricardo ensina que a Igreja não é tradicionalista, nem progressista, mas sim conservadora. Ser conservador não é cortar a árvore para construir algo novo jamais visto, como anseiam os progressistas; também não colar as folhas que caíram de volta na árvore; contudo, ser conservador é manter a árvore, podar os galhos, ajudar no solo, a fim de mantê-la viva. Tal analogia foi feita pelo próprio padre (cf. AZEVEDO JR, 2009, p. 8). De certa forma, o tradicionalismo, diria eu que o rad-tradicionalismo e o progressista, ambos são revolucionários, em pensam que o Concílio Vaticano II segue uma hermenêutica de ruptura, sendo que na verdade é de continuidade. Os progressistas afirmam que tudo que é antes do Concílio não presta, enquanto os radtrads pensam que tudo que vem do mesmo não presta (cf. AZEVEDO JR, 2009, p. 37s; SANTA CARONA. A VERDADE SOBRE OS RADTRAD's!. Youtube. Disponível em < https://www.youtube.com/watch?v=3xjYRYYnjpA&t=12s >. Acesso 10 dez. 2023. Duração: 18min 04s). Conhecer o concílio é conhecer a partir de seus documentos, e não a partir de um espírito de concílio, como afirmam os progressistas (cf. AZEVEDO JR, 2009, 21s.29). Todo o concílio é infalível, porém nem todo o concílio expressa a fé de forma eficaz (cf. AZEVEDO JR, 2009, p. 19), assim como também ocorreu da linguagem ser frágil, na parte do Credo, em que comentam sobre a divindade do Espírito Santo, por não afirmam claramente que é da mesma natureza de Deus; o mesmo em decorrente a linguagem ocorreu como o Concílio Vaticano II (cf. AZEVEDO JR, 2009, p. 14-18. 19), sobretudo em alguns termos de ambiguidade. Mas não é pela fraqueza de alguns sacerdotes, que o Concílio deixa de ser infalível, assim como o Concílio de Constantinopla não deixou de ser infalível, mesmo ao se expressar sobre a divindade do Espírito Santo de uma forma não muito ideal, não tendo o mesmo peso que ao tratar da divindade do Filho (cf. AZEVEDO JR, 2009, p. 19). O autor também comenta sobre as correntes teológicas que houveram no Concílio, que foram a dos neo-tomistas, dos liberais e os da Nova Teologia (que visavam resgatar a teologia bíblica e dos Padres da Igreja), assim como a “união” dos dois últimos para ter um peso no Concílio, ainda que após o Concílio, os dois grupos se romperem (cf. AZEVEDO JR, 2009, p. 30-36). No final do livro, Pe. Paulo Ricardo comenta sobre o que é heresia (vide em AZEVEDO JR, 2009, p. 40-48) e também a respeito da natureza do mau, que está não provém da matéria, mas sim é um mal espiritual (cf. AZEVEDO JR, 2009, p. 41). Como é o exemplo do sexo: o pecado não se encontra na matéria carnal em si, mas na questão espiritual a ela envolvida (cf. AZEVEDO JR, 2009, p. 41s). Teria mais pontos a se comentar do livro, mas gostaria de comentar que a obra, embora suscita, é bem esclarecedora de como ocorreu. E aprendemos com o padre Paulo Ricardo que a recepção dos concílios levam tempo (cf. AZEVEDO JR, 2009, p. 18s [18]), e a melhor forma de estudarmos a respeito do que ele nos trouxe, é lendo seus documentos e não rompermos com o Concílio, porque este não é um concílio a partir, mas mais um dos concílios da Igreja de dois mil anos, sendo o XXI Concílio Ecumênico (Pe. Paulo Ricardo também explica a diferença do Concílio Apostólico – que é o Concílio de Jerusalém – para o Ecumênico. O Apostólico é chamado por este nome, também porque os apóstolos de Cristo fizeram parte deste, e também porque a revelação ainda não estava finalizada, sendo esta findada com a morte do último apóstolo. Enquanto que o Concílio Ecumênico é um concílio após os apóstolos, com a revelação já findada, só precisa ser esclarecida (vide em AZEVEDO JR, 2009, p. 9s)). Também aprendi que a inefabilidade do Concílio se dá também pelo fato que o Papa, o bispo de Roma, está presente e ele é a cabeça do Colégio dos Bispos. E não há corpo sem cabeça (cf. AZEVEDO JR, 2009, p. 6). E o concílio tem a sua autoridade, e ela é válida para nós católicos e temos que respeitar. Recomendo a todos a leitura! Qualquer comentário agressivo será por aqui desconsiderado da parte do autor da resenha. Não estou disposto a criar discussões, mas simplesmente compartilhar o que aprendi e apresentar que este livro é muito interessante e que vale a pena ser lido.

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