Ravelstein
Ravelstein é o chamado Roman à Clef, mas, errado ou não, eu costumo resenhar de modo mais superficial, especificamente na relação obra/leitor. Ravelstein é um personagem fascinante, mesmo, por vezes, o achando ridículo em suas extravagâncias materiais consumistas. Em contrapartida, isso acabando o tornando ainda mais curioso, por o personagem ser extremamente envolvido com a psique humana. Chick, o narrador, é o principal coadjuvante do romance, e por meio ou a partir deste, ocorrem os debates filosóficos e sociopolíticos. Esses debates têm quase sempre como tópico educação, anti-semitismo e niilismo. Outra questão interessante abordada aqui é a morbidez, o prenúncio da morte e como as pessoas, tanto as acometidas de tal quanto as em seu entorno são afetadas, ou não, psicologicamente. Enfim, mas uma vez Saul Bellow se mostrou magnânimo no que se propõe a fazer, criar, mesmo se tratando de um Roman à clef, personagens e enredo singulares.

