O mais completo estudo crítico do drama a partir dos seus primórdios, uma história do teatro projetada e compreendida em inter-relação com o tempo histórico. Neste segundo volume, o autor vai de Ibsen até o teatro do pós-guerra de Sartre, Camus, Arthur Miller e Tennessee Williams, em uma interpretação que influenciou encenadores de vanguarda como Boal e Foreman. John Gassner, expoente da scholarship e da crítica norte-americana, foi professor de Dramaturgia na Universidade de Columbia, na Yale Drama School e no Laboratório Dramático de Piscator, além de editor, dramaturgista do Theatre Guild e encenador de peças.
Mestres do Teatro I -
John Gassner
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Ver maisO livro começa bem, com a origem do proto-teatro nos antigos rituais mágicos de nossos ancestrais, e o autor faz boas análises antropológicas dos primeiros atores-mágicos que imitavam plantas e animais. As religiões de mistérios da Antiga Grécia podem ser consideradas os primeiros exemplos da grande tragédia grega, com cenas rebuscadas e imersão no papel. Já pela etimologia de “tragédia” (canto do bode) se podem fazer inúmeras associações: sacrifício do bode, culto a Pã, homens vestidos em peles de bode num ritual etc. O autor vai bem até ao falar dos grandes dramaturgos gregos: Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e Aristófanes. Ainda ao falar do teatro oriental traz coisas interessantes, apesar de diminuir um pouco o teatro chinês, como o grande teatro indiano com nomes como Kalidasa, Bhasa e Asvaghosa. Também as análises do teatro Kabuki, um teatro que bate de frente com a maioria das obras do Ocidente, que se originou a partir de recitações públicas e evoluiu para narrativas dramatizadas da vida cotidiana. Mas peca ao forçar um teatro hebraico e nesta parte fala basicamente apenas sobre o livro de Jó e o Cantares de Salomão. Depois o autor começa a decair e passa a falar bosta, como a visão de superioridade moderna em relação à Idade Média, ou um leve orgulho do teatro de sua língua inglesa, que parece que o autor quer mostrar que os ingleses foram os melhores dramaturgos. Mas ainda há coisas boas, como jesuítas que desempenharam papel importante na promoção do teatro por meio de suas escolas, escrevendo peças em latim e produzindo peças que abordavam figuras históricas, vidas de santos e alegorias. Claro que não dá para escapar de William Shakespeare, Racine e Molière, que ocupam grande parte do livro. Interessante também foi saber algumas informações sobre Beaumarchais, autor de "O Casamento de Fígaro", que foi preso pelos revolucionários (um revolucionário vítima da revolução). A obra de Beaumarchais é mais famosa na ópera, através de Mozart e Rossini, do que no teatro propriamente dito. Depois disso o livro só consegue chegar próximo de uma sublimação quando fala de Goethe. A parte sobre Fausto é muito boa, mostrando que Fausto é um personagem que esgota os recursos da ciência medieval em sua busca por conhecimento. Ele anseia por um entendimento que vá além dos limites do conhecimento convencional e decide recorrer à magia para atingir esse objetivo. A trama gira em torno da insaciável sede de conhecimento de Fausto. Outro problema deste livro é muitas vezes as longas biografias dos dramaturgos, depois ele faz um resumo completo das principais obras, então há muitos spoilers, e só depois faz a análise das peças. Bem, acho que não vou ler o segundo volume.
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