Enquanto lia e parava para refletir alguns aspectos teóricos sobre literatura infantil, do nada, levei um soco bem no estômago ao me dar conta de que não tive livros para crianças durante a infância. Aliás, nos anos 80 e 90, os pais de todos nós, os de nossa classe social, trabalhavam muito, porém ganhavam pouco, beeeem pouco... Nesse meio precarizado, livros eram luxos difíceis de ser sonhados, quanto mais alcançados por mãozinhas destinadas a herdarem os calos e as profissões dos pais. Vou além, o acesso à cultura, universidades, a bibliotecas... nem se cogitava. "Coisas de ricos", dizia o 'Coro' popular. Desse modo, ecoava esse amortecimento inconsciente nos espíritos da população, atigindo em cheio a nós, os filhos do proletariado. Acho que tudo só começou a melhorar mesmo depois que um operário igual aos nossos adultos se tornou presidente. Mas essa já é outra história...