Ao ler este livro, tive uma grata surpresa, tanto pela questão do método inovador, que utiliza elementos de Max Weber quanto do materialismo histórico. A obra, ao empregar o conceito de afinidade eletiva em conjunto com a dialética, apresenta uma fundamentação sólida para compreender as bases críticas da teologia em relação ao sistema capitalista, partindo do cristianismo e de suas bases históricas enquanto movimento.
Além disso, o autor consegue visualizar e assinalar como um movimento tão radical pôde surgir dentro de uma instituição tradicional como a Igreja Católica. Ele também destaca o contexto histórico e geográfico de seu surgimento, situando-o entre o Concílio Vaticano II e a chegada das tropas revolucionárias a Havana.
Por fim, a obra evidencia tanto as influências que moldaram a Teologia da Libertação quanto sua relevância como um dos movimentos mais impactantes do século XX na América Latina. Essa teologia contribuiu para a formação de resistências às ditaduras, especialmente no Brasil, onde a Igreja, influenciada por suas ideias, tornou-se a principal força de oposição, em muitos momentos mais radical que o próprio PCB. Seu objetivo não era fomentar o desenvolvimento capitalista, mas romper com ele em direção a um socialismo cristão, ou mesmo a um retorno ao cristianismo primitivo e utópico.
Trata-se, portanto, de uma leitura valiosa para compreender a Teologia da Libertação e seu papel histórico e político no continente latino-americano.