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    Caros Amigos #160 -

    não informado

    Casa Amarela
    2010
    48 páginas
    1h 36m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    5
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    Por mais que se diga que o país está em franco desenvolvimento e situado entre as maiores potências econômicas do Planeta, que o triunfo do neoliberalismo aplaca as lutas sociais e leva os pobres a ingressarem nas classes médias aos milhões, existe um fato concreto que atrela o Brasil ao seu mais terrível passado: é a persistência até hoje das condições humilhantes de trabalho e análogas à da escravidão. Nem dá para afirmar que se trata de algo anacrônico, na medida em que a prática do trabalho escravo tem sido utilizada sistematicamente pelos setores mais atrasados e mais adiantados do capitalismo. Está presente na expansão das fronteiras rurais para a instalação do agronegócio, no desmate da floresta para a pecuária e na lavoura da cana para o etanol. Está, igualmente, no seio do operariado que trabalha nas confecções de grife para as grandes redes de lojas dos centros urbanos. A reportagem da Caros Amigos procura não apenas mostrar a dimensão do problema, registrar a diversidade do trabalho escravo na “moderna” economia brasileira, mas principalmente questionar por que essa situação perdura além de todo o aparato disponível existente nas instituições da sociedade. Entre as várias forças que fecham os olhos ou sustentam a exploração do trabalho escravo está a bancada ruralista no Congresso Nacional, que há muitos anos impede a aprovação de projeto de lei que autoriza a desapropriação de terras com a prática de tal ilegalidade. Além dessa reportagem, a revista apresenta excelentes matérias, entre as quais a entrevista exclusiva com Frei Betto, conhecido por sua história de militância social e política; entrevista com os antropólogos Karina Biondi e Adalton Marques, sobre os valores e o funcionamento do Primeiro Comando da Capital (PCC); reportagem sobre os cursinhos populares que contribuem para que jovens de baixa renda disputem vagas no ensino superior; e outras reportagens sobre a ameaça radioativa no sul de Minas Gerais, a urgente revisão da lei de direitos autorais, as várias alternativas de partos naturais e a renovação da arte popular com o grupo de teatro da Maré, no Rio de Janeiro. Enfim, uma edição com conteúdo denso, diversificado, relevante e de boa qualidade jornalística. Aproveite!

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