Por que bruxas e santas? Porque entre estes dois estereótipos - os dois extremos de uma visão maniqueísta de mundo, no caso aplicada às mulheres - há não apenas um abismo, mas também pontes. Assim como determinadas ervas, remédios e práticas médicas podem tanto curar quanto piorar o quadro de uma doença ou até mesmo matar, muitas das características atribuídas à santas e bruxas diferem também apenas em grau. Um claro exemplo disso é Joana dArc (na imagem da capa, reproduzida de uma pintura do século XIX de Jules-Eugène Lenepveu), julgada e queimada como herege em 1431 e canonizada cinco séculos mais tarde. Esse livro trata, principalmente, da questão do ingresso das mulheres no magistério primário laico e do processo de substituição de mão de obra masculina (principalmente no ensino de crianças pequenas, nas séries iniciais) pela feminina, que se inicia neste setor em meados do século XIX, acelerando-se até que, já no século XX, aquela proporção observada inicialmente inverte-se completamente. Para compreender esse fenômeno é necessário analisar, além dos aspectos econômicos do contexto educacional do século XIX, também a discussão, plena de contradições, que movimenta a intelectualidade deste período como uma verdadeira disputa sobre a natureza feminina: boa ou má, lasciva ou ascética. A desmistificação dessa suposta natureza feminina é também um dos objetivos principais deste trabalho.
Bruxas, Santas e Professoras - A limpeza da imagem da mulher e o magistério como profissão feminina
Cybele Crossetti de Almeida
Prismas
2016
172 páginas
5h 44m
ISBN-13: 9788555071324
Português Brasileiro
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