Sob o Domínio do Medo - O famoso romance de violência e sexo!

    Gordon M. Williams

    Record
    1969
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Esta historia extremamente tensa aborda uma questão fundamental: neste mundo em que estamos vivendo um clima de violência sempre crescente, terá o homem comum, civilizado, a capacidade de proteger a sua própria família contra as forças da brutalidade irracional? Ou, mais sério ainda, terá perdido a vontade de dar essa proteção? George Magruder, principal personagem deste livro soberbamente escrito, enfrenta o problema através de uma situação de terror cada vez mais intensa. Ele é um americano culto, de maneiras impecáveis e excessivamente cauteloso que vem morar numa casa solitária de fazenda em Dando – localizada naquela Inglaterra rural onde as famílias há séculos cultivam as mesmas terras, guardam os mesmos hábitos e o mesmo preconceito e desconfiança contra estranhos, e George traz consigo sua mulher inglesa, bonita mas insatisfeita, e sua filha. É um dia claro de Natal, cuja normalidade é logo quebrada quando o gato de estimação dos Magruder é encontrado estrangulado sobre um monte de neve. A sensação de perigo que se apossa de todos aumenta à medida que ocorrem novos e estranhos fatos: depois de um acidente de estrada, fica a solta Henry Niles, perigoso assassino de crianças... a neve bloqueia totalmente as passagens da região... os fios telefônicos são arremessados longe por uma tempestade que isola Dando do resto do país... Chegam, entao, à casa dos Magruder cinco homens com um propósito criminoso, destruir Henry Niles. Assim, passo a passo, com lógica selvagem, a trama desta novela passa por imensos níveis de ansiedade, provoca-nos o medo e finalmente, sem que esperemos, a coragem.

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    herbert melo24/06/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    filme >> livro

    numa histórica entrevista à playboy norte-americana, o gênio sam peckinpah declarou o seguinte sobre um dos seus filmes mais famosos, sob o domínio do medo: "você é contratado para pegar esse livro medíocre com uma boa sequência de ação - a cena do cerco - e fazer dele um filme. te dão um roteirista, david goodman, e um ator, dustin hoffman, e te dão uma história para contar que você conta da melhor maneira que sabe. é isso. leia o maldito livro. você morrerá engasgado em seu próprio vômito!". estaria ele sendo injusto ao se referir ao livro "the siege of trencher's farm", de gordon m. williams, que deu origem à sua obra-prima "straw dogs"? bem, digamos que o livro não é assim tão ruim, mas que tudo aquilo que você mais lembra do filme de peckinpah não está no livro! em "trencher's farm", o matemático interpretado por hoffman é um professor de história que mudou-se para o interior da inglaterra para escrever um livro, junto com a esposa e uma filha de 8 anos que sequer existe no filme. toda a tensão sexual de "straw dogs" (a mulher do protagonista tem um ex-namorado caipirão na cidadezinha que logo se enfurece por ela estar casada com um banana; o marido contrata quatro locais para trabalhar na reforma da sua fazenda, dando origem a joguinhos entre "caipiras e civilizados") também inexiste no livro. na história original de williams não tem ex-namorado e nem aquela famosíssima cena de estupro que fez o filme de peckinpah ser tão comentado (e odiado) até os dias de hoje. a trama do livro é centrada no casamento arruinado do protagonista (sua esposa até já teve um caso extraconjugal com um jovem poeta), e em como ele se "redescobre" homem e macho-dominante ao ver-se obrigado a proteger a família do ataque de cinco caipiras violentos à sua casa. o motivo do cerco é semelhante no filme e no livro (ele dá abrigo a um doente mental assassino de crianças que os homens querem linchar). A diferença é que, em "trencher's farm", o psicótico ironicamente é inocente do crime que estão lhe acusando (o desaparecimento de uma menina filha do cara mais encrenqueiro da vila, e que é encontrada viva depois que a violência já explodiu na fazenda). a narrativa é frenética porque praticamente toda a metade final do livro se limita a descrever o cerco dos homens à fazenda e a tentativa desesperada do "civilizado" de defender sua propriedade e sua família. pelo menos o livro, que dá voz aos conflitos internos do personagem de uma maneira que o cinema não permite, apresenta de maneira mais didática a transformação do protagonista de pacifista convicto em assassino sanguinário. a luta final dele com o último dos invasores a restar de pé é narrada de maneira incrivelmente violenta, muito mais do que no filme, e é de roer as unhas (com direito aos dois "homens" mordendo e arrancando nacos da carne um do outro, como verdadeiros cães selvagens!). mas fica por aí. o brilhante final dúbio de peckinpah dá lugar a um "final feliz" qualquer nota, e os assassinatos sangrentos que o protagonista precisava levar na consciência no desfecho do filme se resumem a homens gravemente feridos que acabam na prisão no livro (o "herói" não mata nenhum dos invasores, apesar de rachar algumas cabeças com um taco de beisebol). assim, embora todo o ato final do livro seja um fantástico exercício em tensão e suspense (o próprio peckinpah reconheceu isso), é inegável que sua adaptação cinematográfica acrescentou várias camadas muito mais interessantes, e que continuam dando pano pra manga nas discussões - ao contrário do livro de williams, que foi sumariamente esquecido. então ao mesmo tempo em que recomendo o livro para conhecer a gênese de uma obra-prima (e da expressão "straw dogs", que virou o título do filme), não posso deixar de adicioná-lo à pequena mas significativa lista de obras literárias superadas em praticamente tudo pelas suas adaptações cinematográficas.

    1 curtida

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