Neste ano, como alguns de vocês sabem, tenho me dedicado a ler os livros de poesia, da minha biblioteca, de um modo diferente do que fazia até então.
Costumo ler poemas de forma dispersa; um autor, aqui, outro ali, sem me preocupar com a ordem da leitura e suas conclusões. É claro que sigo fazendo isso. Bato o olho em um livro, mesmo que já tenha lido, abro e leio o que me dá vontade. Mas, em 2024, tenho feito algo a mais: paralelo a outras leituras (de ficção e de não ficção), eu me mantenho sempre acompanhado de um livro de poemas.
Foi assim que finalizei, hoje, este livro, da @globaleditora , que apresenta uma seleção de Alfredo Bosi sobre os melhores poemas de Ferreira Gullar. É uma edição de bolso, econômica, mas com um conteúdo gigante e riquíssimo dentro do universo literário deste grande escritor brasileiro. Os poemas são apresentados de forma cronológica, de 1950 até 1999, divididos em suas principais obras; contando, ainda, com uma homenagem ao poeta Rainer Maria Rilke, que data de 2001, em que a morte se apresenta de forma alegórica.
Embora fosse natural de São Luís do Maranhão, Ferreira Gullar se tornou um poeta universal, tamanha capacidade de abordar tanto os dramas particulares, do Brasil, quanto os temas existenciais que acompanham todo e qualquer ser humano em sua jornada de vida.
À sua capacidade lírica, ao denunciar a violência dos militares, durante a ditadura - tema oportuno para este mês de março, inclusive -, soma-se a sua indignação, poética, sobre as injustiças e a desigualdade social, revelando um escritor que, na sua essência, é fruto da luta coletiva, tamanha impossibilidade de dissociar o artista do militante político. Como ele mesmo revela no poema Traduzir-se: "uma parte de mim é todo mundo, outra parte é ninguém, fundo sem fundo".
Nesta seleção de poemas, obviamente, também não poderia faltar o "Poema Sujo", publicado em 1976, e que se transformou em um verdadeiro hino nacional sobre quem nós somos, de verdade; deixando de lado maniqueísmos e assumindo que "cada coisa está em outra de sua própria maneira e de maneira distinta de como está em si mesma".
Ferreira Gullar, presente!
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