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    Nada Consta -

    Danilo Japa Nuha

    Geração Editorial
    2017
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-13: 9788581303710
    Português Brasileiro
    3.8
    19 avaliações
    Leram26Lendo1Querem22Relendo0Abandonos1Resenhas10
    Favoritos1Desejados22Avaliaram19

    Este livro – romance, memórias, aventura mágica? – de Danilo “Japa” Nuha é um livro de ladrão, pulador de muros. É a história de um vendedor de livros e discos do Beco das Garrafas, em Copacabana, Rio de Janeiro, que começa a narrar sua vida a partir da infância, quando foi largado, ainda bebê, no boteco de um casal de japoneses em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul e a partir daí não para mais. De jornaleiro e balconista de botequim no Mato Grosso do Sul a operário de fábrica e aspirante a bandido no Japão aos 16 anos; contrabandista em Bali; jornalista em Tokyo aos 25 e, finalmente, de volta ao Brasil, onde vive encontros surpreendentes junto a grandes artistas, como Milton Nascimento, João Donato, Paulo Moura, Roberto Carlos, Emílio Santiago, Criolo, Racionais MC´s, Hermeto Pascoal, Banksy e Almir Sater, entre outros. Ficção? Realidade? Só lendo para entender.

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    Resenhas (10)Ver mais
    Natalia Araújo picture
    Natalia Araújo24/05/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma grande lição

    Absolutamente abandonado. As fraldas indicam, com o choro incessante, que é um bebê. Pessoas passam e encontram aquela criança na porta de um bar. Aqueles corações, moles, sentem dó do pequeno; se perguntam o motivo de tamanha atrocidade. Ninguém entende, eles não sabem explicar, mas apenas observam que há uma vida ali, no meio daquele nada, junto com a solidão. É com essa reflexão que inicio esta resenha. Quantas crianças são largadas pelos pais? Quantos pequenos são abandonados, sem sequer ter o poder de escolha, o poder de demonstrar a sua vontade e de clamar por ajuda? Danilo foi um desses garotinhos. Um menino lindo, saudável, mas que foi largado por pessoas que eram consideradas seus pais. Até que ponto somos capazes de chamá-los dessa forma? Afinal, entende o Supremo Tribunal Federal que pai é quem cria, pai é aquele que possui um laço afetivo, independentemente do sanguíneo. Então, volto para consertar a expressão: Danilo foi um desses garotinhos abandonado pelas pessoas que o colocaram no mundo. Ao se deparar com aqueles olhos puxados, aquele jeitinho cativante e o olhar sofrido, aquele casal decide acolhê-lo como um filho e então vão registrá-lo no Cartório. Danilo passa ter a atenção que não tinha, porém, ele cresce num ambiente não muito apropriado para um garoto naquela idade: num bar. Podemos ver imagens dele encostado numa mesa de sinuca e, constantemente, frequentando-o. Nuha foi quase tudo o que uma pessoa poderia imaginar: jornaleiro, balconista de bar, açougueiro, limpador de fossa, descarregador de caminhão, operário, jornalista, muambeiro, professor de história, instrutor de yôga, fiscal de concurso público, assessor de imprensa, operador de teleprompter, produtor e traficante. Com apenas 16 anos, ele se tornou bandido no Japão; tornou-se contrabandista em Bali. Quem está do lado de fora apenas pensa em apontar e condená-lo. Porém, quem lê esta obra compreende seus momentos de fraqueza, é claro que acha umas coisas absurdas, mas queremos abraçar o autor, dizer o quanto lamentamos por tudo o que ele passou e o quanto comemoramos por sua superação. Afinal, é fácil julgar quando estamos observando a vida alheia, difícil é passar por tudo aquilo e dar a volta por cima. Hoje, com uma vida diferente, escrevendo sua obra, o autor nos ensina que é possível sermos melhores do que fomos e do que somos. Parece clichê dizer isso, mas muitos reclamam de barriga cheia, não enxergam que o problema do outro é maior do que o nosso. É isso que aprendemos ao ler este livro. Qual é a sua dificuldade no momento? Ouvir uma reclamação da sua mãe, um descontentamento do pai e ter notas baixas nos estudos? Ser abandonado pelos próprios pais parece mais pesado do que isso, mais triste. O autor tinha muitos motivos para ficar depressivo e entrar num quadro debilitado. Podemos ter muitas dificuldades físicas, emocionais e diversas outras... Mas será mesmo que é o fim do mundo? Nuha nos mostra que não. Nada é o fim do mundo, nem mesmo o final. Essa obra nos prepara de muitas maneiras e deveria ser leitura obrigatória para abrir nossos olhos. Nos fazer observar as pessoas de forma mais humana, realista e solidária. Quantas vezes uma pessoa não quer nosso abraço, carinho e atenção? Quantos são rejeitados por seus familiares e só queria um tratamento diferenciado de um desconhecido? Vamos olhar ao nosso redor, ajudar mais as pessoas, tratá-las como humanas e nunca esquecer: se caímos, podemos levantar. Esta resenha saiu mais como um desabafo, uma lição, e não poderia ser diferente. Nuha nos proporciona isso. Só lendo para entender e para sentir. Você gosta do gênero? Indico para que leia agora. Você não gosta do gênero? Indico para que comece por este, imediatamente. Se eu tivesse de definir este livro em duas palavras seriam: intenso e indelével.

    6 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 19
    • 5 estrelas26%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas32%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
    Danilo Japa Nuha profile picture

    Danilo Japa Nuha

    Danilo Japa Nuha nasceu no Brasil em algum momento de 1981. E ainda hoje não se sabe onde. Desde então já foi jornaleiro, balconista de bar, açougueiro, limpador de fossa, descarregador de caminhão, operário, jornalista, muambeiro, traficante, professor de história, instrutor de yôga, fiscal de concurso público, assessor de imprensa, operador de teleprompter e produtor.

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    Danilo Japa Nuha