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    No caminho de Swann (Em busca do tempo perdido #1) -

    Marcel Proust

    Biblioteca Azul
    2016
    560 páginas
    18h 40m
    ISBN-13: 9788525062093
    Português Brasileiro
    4.8
    10 avaliações
    Leram16Lendo8Querem45Relendo0Abandonos2Resenhas2
    Favoritos2Desejados45Avaliaram10

    Esta reedição pela Biblioteca Azul de Em busca do tempo perdido, obra capital de Marcel Proust, um dos maiores escritores do século XX, é de grande importância para seus velhos e novos amantes. No caminho de Swann, o primeiro volume, saiu em 1948, magistralmente traduzido por Quintana. Esta nova edição ultrapassa as anteriores porque foi cuidadosamente preparada. Revista por Olgária Chaim Féres Matos, traz prefácio, cronologia, notas e resumo de Guilherme Ignácio da Silva e um valioso posfácio de Jeanne-Marie Gagnebin, professora de filosofia da PUC-SP.

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    Paulo Gomes picture
    Paulo Gomes31/03/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Delicada beleza

    Leitor insaciável e apaixonado, se já havia especulado em escrever algo romanesco de minha autoria, a leitura de autores como Marcel Proust fazem-me desanimar e devolve-me rapidamente a minha medíocre zona de conforto: a redação de artigos jurídicos, teses, dissertações, etc. Jamais havia lido um escritor com estilo tão sensivelmente belo, com capacidade ímpar de observação e descrição de personagens, cenários, sensações e detalhes, que, em conjunto, constituem um estilo único. Para exprimir um pouco da beleza do estilo do autor, veja-se como ele descreveu a chuva: “Uma pequena batida na vidraça, como se qualquer coisa a tivesse atingido, seguida de uma ampla queda leve como grãos de areia que deixassem tombar do alto de uma janela, em cima, e depois a queda estendendo-se, regulando-se, adotando um ritmo, tornando-se fluida, sonora, musical, inumerável, universal”. Não é fácil, porém, ler a obra prima de Proust. Demorei mais de um mês, tempo excessivo para meus padrões, mas ainda inferior ao que a obra demanda do leitor. Não há divisão em capítulos e o autor usa frequentemente imensos parágrafos, o que dificulta ainda mais a leitura e a marcação das pausas tantas vezes necessárias durante a leitura. A primeira parte do livro, intitulada “Combray”, refere-se a uma cidadezinha fictícia do interior onde o autor-narrador teria passado férias de veraneio durante sua infância e adolescência. O narrador se recorda de sua vida involuntariamente, por meio de lembranças que lhe vieram à tona ao mergulhar um pedaço de madeleine em uma xícara de chá, célebre cena literária. Autobiográfico, vemos o jovem narrador com dificuldades de dormir, sofrendo de doenças respiratórias, carente da atenção da mãe. Narra como seu gosto literário foi influenciado pela avó, que primava pela busca de coisas belas que ensinassem “a buscar deleite em outra parte que não nas satisfações do bem estar e da vaidade”. O autor confidencia seu sonho de menino de tornar-se um escritor famoso e descreve quando, durante uma viagem, teve um insight literário e logo pegou no papel e lápis para compor uma passagem descritiva sobre as torres de Martinville, as quais acabara de observar. Ao terminar de escrever, extasiado, o jovem escritor achava-se tão feliz que pôs-se a cantar a plenos pulmões. Quem nunca passou por um deslumbre semelhante ao ter um “estalo” criativo súbito? A segunda parte do livro, intitulada “Um amor de Swann”, narra o relacionamento amoroso entre Swann e Odette de Crécy: ele, nobre, rico, intelectual e frequentador da alta sociedade; ela, uma prostituta de luxo, frívola e vulgar. Aqui há a descrição dos preconceitos sociais e da dificuldade de aceitação do relacionamento pela sociedade, bem como do sofrimento intenso de Swann em seu relacionamento baseado no dinheiro e na submissão. É impressionante como o autor narra a gradual decadência psicológica e física de Swann em seu relacionamento com Odette: ele termina totalmente dominado pelos caprichos de Odette e se submete a suas vontades. Na última parte do livro, “Nomes de terras: o nome”, o autor-narrador conta seu amor platônico pela criança-adolescente Gilberte, que viemos a saber ser filha de Swann com Odette, os quais haviam se casado. Nessa parte da narrativa sobressai-se o caráter angustiado e exagerado do autor, para quem os encontros com a pequena Gilberte nos Campos Elísios, para brincar com outras crianças, tornaram-se a razão última da sua vida, algo que ele esperava ansiosamente. Como sói acontecer nessa fase da vida, tudo parece tão importante, como se o mundo fosse acabar amanhã. Não pude deixar de lembrar de Ulisses, de James Joyce, ao ler este livro de Proust, talvez por uma certa familiaridade no nível de detalhamento das descrições e na robustez da narrativa. Porém, enquanto desisti de Joyce, traumatizado, o francês entrou na lista de meus escritores inesquecíveis.

    9 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.8 / 10
    • 5 estrelas80%
    • 4 estrelas20%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust

    Escritor francês cuja obra <i>Em Busca do Tempo Perdido</i> (1914-1927), composta de sete livros, é considerada um dos melhores romances do século XX. Nascido em Paris, asmático e de família rica, é cercado de cuidados durante a infância. Aos 35 anos sua asma se agrava e o torna um inválido crônico. Passa o resto da vida quase sem sair de casa, trabalhando em sua grande obra. Sua produção literária se inspira nos costumes da alta burguesia parisiense e abre novos caminhos no campo da narrativa, ao adotar um estilo não-linear de expressão da simultaneidade dos acontecimentos. Sua ficção foi conhecida por transformar textos confessionais em romance, através da introdução da ideia da lembrança involuntária. Para Proust, as sensações são indestrutíveis e o passado pode ser reconquistado por força de uma iluminação produzida pelo acaso. Ao artista cabe recuperar o material fornecido por essas iluminações. Proust foi vencedor do prestigioso Prêmio Goncourt na França. A influência de sua obra sobre escritores como Virginia Woolf, Graham Greene e Vladimir Nabokov atesta a consagração internacional que ocorreu após sua morte.

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    Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust