Cinco Esquinas (série américas) -

    Mario Vargas Llosa

    Quetzal Editores
    2016
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9789897222887
    Português

    À conversa, sem os maridos, e desatentas da hora do recolher obrigatório, Chabela e Marisa terão de pernoitar juntas. O que aconteceu na cama nessa noite passará a ser um grande e saboroso segredo. Chabela é mulher de um advogado de renome; Marisa, de uma das figuras cimeiras da exploração mineira. O mundo perfeito em que vivem - não fora a constante ameaça dos guerrilheiros e sequestros - será fortemente abalado por um escândalo. Após tentativa de chantagem por parte de Rolando Garro, diretor do pasquim Destapes, a participação do engenheiro Enrique Cárdenas numa orgia será tornada pública em todos os seus pormenores mais sórdidos. Segue-se um assassínio brutal. Mas a relação de tudo isto com o poder político, nomeadamente com o homem que na verdade governa de forma corrupta e autoritária o país, o Doutor, braço direito do presidente, será trazida à luz: curiosamente pela coragem e fibra da redatora principal do referido tabloide que usa o nom de plume «La Retaquita».

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    Priscilla T. Vale15/05/2022Resenhou um livro
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    Vargas e o Sexo Gluten Free do pão de queijo

    Espero que alguém leia. O livro conta a história de dois casais héteros e ricos num contexto de ditadura e os escândalos e perigos que passam exatamente por serem pessoas de visibilidade social. Nesse meio termo, esses casais de amigos se imiscuem em uma relação de adultério que não gera consequência alguma. Tem muita coisa errada com o livro, a primeira delas é: a visão do relacionamento entre Chabela e Marisa é nada mais do que um fetiche masculino que perpetua a visão machista da sexualidade feminina como brincadeira ou peripécia. A escrita do Vargas passa a visão de que elas não têm vontade própria ou se envolveram porque queriam, mas simplesmente por um arranjo secreto do acaso para explorar inocentemente uma intimidade feminina. Elas não se relacionam porque eventualmente gostam, mas como algo adjacente. É como se a pessoa um dia quisesse fazer um pão de queijo porque estava entediada, aí do nada ela faz pão de queijo às 3 da manhã sem propósito algum, sem vontade, mas como se fosse compulsório. é a melhor analogia que posso trazer. No começo vc pensa "ah, a pessoa calhou de fazer um pão de queijo porque estava com fome", mas depois ela passou a fazer isso e não se levou em conta se ela estava com fome ou se gostava, ela simplesmente passou a fazer isso compulsoriamente para alimentar a fome hipotética de outros. Seres humanos reais em algum momento se envolvem emocionalmente e o custo emocional sempre entra na equação. Ainda que não fosse isso, não é realístico que um adultério não influa num casamento ou que não sejam pesadas as ações entre os personagens. Parece que as esposas estão ali, e o adultério entre elas, não implica nada na vida marital, como se fosse totalmente anódino e fetichizado, elas se encontram por pura diversão e não passa "de nada de mais". Tudo é arranjado para a inclusão de um terceiro personagem, como uma preparação para a entrada do homem na relação e aí é que passa a existir o conceito de desejo. O marido, por exemplo, fetichiza com a ideia, nada mais do que a comprovação de que esse relacionamento sexual é apenas um homoerotismo para o deleite próprio. É uma sexualização em prol de um imaginário masculino. Pode-se aventar que o começo desse relacionamento não foi em prol, mas a continuação do histórico entre elas é totalmente anódino.

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