Da janela de um bistrô, Isaque vê a jovem Beatriz ser agredida por um homem, que foge levando-a com ele. Após alguns dias, Beatriz aparece na igreja que Isaque frequenta, mas é hostilizada por Rodolfo, um líder preconceituoso. Constrangida, a jovem vai embora e entra na Rua de Todos os Deuses, uma rua proibida para cristãos, pois nela habitam sete homens conhecidos como os destruidores da fé. Isaque quebra todas as regras, entra nessa rua e ouve as mais terríveis acusações contra os cristãos. Com a fé abalada, conhece Euzébio, um padre excluído por se casar. Euzébio o ajuda a quebrar alguns paradigmas religiosos e o faz entender que pecado é o desamor. É a arma que Isaque usará contra seus adversários. A obra é mesclada por um paralelismo entre a luta contra as várias facetas do preconceito, e o arriscado desejo de descobrir quem é o misterioso algoz de Beatriz. Veja o que há por trás dessa incrível história. Um emocionante romance que aborda religião e preconceito.
A Rua de Todos os Deuses
Monteiro Ben-Hur
Resenha do blog Literatura News
O livro conta a história de Isaque, um cristão convicto, e de seus amigos, um baiano, um negro, e uma garota budista. O quarteto pode parecer comum aos nossos olhos, mas, diante dos outros personagens do enredo que frequentam a mesma igreja, são completos estranhos e pecadores, pelo menos para Rodolfo, que vê pecado em quase tudo. A vida deles muda ao presenciarem uma jovem ser agredida e levada por um homem em um carro momentos depois. Mesmo Isaque acreditando que a garota tenha ou esteja passando por coisas horríveis, o inimaginável acontece: ela aparece em sua igreja um dia após o ocorrido. Os jovens ficam cheios de dúvidas e acabam indo conversar com ela, Breatriz. Conversa vai, conversa vem; a garota chama a atenção de Rodolfo por conta de suas roupas "inapropriadas", o que o faz humilhar a moça na frente e todos faz com que ela fuja para a Rua de Todos os Deuses, o que causa um reboliço ainda maior. A rua é conhecida por haver pecado por todos os lados, e dizem que os que entram lá perdem sua fé. Isaque, ainda questionando-se sobre a garota e sobre como era possível alguém entrar em uma rua e simplesmente perder a fé, decide ir, o que faz seus amigos ficarem chateados e brabos, mas todos vão atrás de Beatriz. Ao chegarem lá, são recebidos por dois bruxos, que soltam morcegos em cima deles e dizem para prepararem-se para o que está por vir, o que os faz imaginarem um lugar macabro, o que não chega a ser. O lugar é belo, e há muita história por trás. A rua foi construída há muito tempo e o prefeito da cidade não economizou na arquitetura. Dizem que ele teve essa cidade por que queria agradar a todos os deuses, e não apenas um. O que, infelizmente, fez com que ele roubasse dinheiro da saúde, educação, etc. Enfim. Nesta rua há todas as religiões possíveis e até as que nem imaginamos existir. Há budistas, batuqueiros, muçulmanos, etc; e todos eles fazem votos aos seus deus livremente. Não há julgamentos ali e todos vivem muito bem, mas há um pequeno problema: Damião e os destruidores da fé. Ao encontrarem o grupo, Damião faz perguntas sobre sua religião e é quando a fé do grupo é posta a prova. Ao tentarem fugir do questionário do velho, um homem acaba salvando os jovens da humilhação em público e diz onde encontrar o ex-padre, Euzébio, que é o único que pode dar pistas sobre Beatriz. Teria Euzébio as respostas que nossos jovens precisam? Ele é um sábio apesar de ter sido excomungado, e traz ensinamentos lindos que podemos levar no nosso dia a dia e é realmente emocionante o modo como lida com as coisas. Nossos jovens também são incríveis e fazem tudo por amizade, até mesmo arriscarem sua fé, e não há como não admirar uma atitude dessas. Mas preparem-se, há uma morte no livro e um mistério em torno disso. Quanto a escrita: é muito boa, o autor descreve as cenas o suficiente e achei ótimo ele não se apegar aos detalhes, já que eu não gosto muito. Gosto de saber mais do que se passa na cabeça do personagem do que o local em que ele está inserido, então, não tenho do que reclamar. O final foi incrível e o autor me surpreendeu novamente, mas preparem o lencinho porque há partes muito emocionantes. Uma coisa que mexeu muito comigo, foram as críticas a sociedade, religião e sexualismo. São verdades duras, que mexem com qualquer um independente da crença e não há como não levar algo da história para si. Estou muito feliz por ter tido a oportunidade de ler o livro que conseguimos em parceria com o autor e, realmente, espero ter a oportunidade de ler outras obras dele. Quem ainda não leu, não perca tempo! É uma obra feita para reflexão e pensar no mundo a nossa volta com outra perspectiva.
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