Na historiografia brasileira, ainda são poucos os estudos que revelem em detalhe as práticas cotidianas, de invenção da cultura - também aquela material -, cobrindo todo o Brasil rural e urbano da escravidão e pós-escravidão. O que acontecia no interior das senzalas, nas matas circunvizinhas das fazendas ou nos becos, casebres e zungus (como eram chamadas as moradas dos africanos e crioulos nas cidades)? Muita coisa a ser redescoberta, descrita e analisada. Entre os séculos XVII e XIX, as experiências religiosas, sobretudo as de origem africana, foram reinventadas e modificadas permanentemente em diversos espaços. Nesta coletânea, os organizadores reuniram pesquisas inéditas sobre as formações religiosas negras em cidades coloniais e pós coloniais do Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, São Paulo, Paraíba, Sergipe, Maranhão, Alagoas, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Das devassas em torno dos calundus ao sincretismo com o catolicismo de monges beneditinos; da perseguição do Tribunal de Inquisição às santas africanas; do medo da feitiçaria à união entre religião e política; das batidas policiais que reprimiam e perseguiam casas de dar fortuna, os cangerês e o candomblé às influências africanas sobre festas religiosas católicas. Assim, este livro mostra que, ao longo do tempo, experiências religiosas se inventaram e renovaram-se, perdendo e ganhando sentidos, significados e símbolos. Em meio à intolerância - inclusive racial, social e cultural -, encontramos disputas pela memória, pela origem e pelos mercados da crença.
Religiões Negras no Brasil - Da Escravidão à Pós-Emancipação
Flávio Gomes, Valéria Gomes Costa (orgs.)
Selo Negro
2016
384 páginas
12h 48m
ISBN-13: 9788584550081
Português Brasileiro
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