Mar Grande - As águas que correm para a Baía de Todos os Santos

    Geferson Santana

    Multifoco
    2017
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9788595120679
    Português Brasileiro

    Realidade e ficção se confundem, dando origem a este livro que permite ao leitor a possibilidade de adentrar no imaginário dos moradores de Beira Mar, um distrito de Maragogipe, no Recôncavo baiano, e entrar em contato com questões que são caras à cultura local, que vai desde o Candomblé à relação das pessoas da comunidade com a sexualidade, tema que ainda é tabu, passando pelos problemas enfrentados pela população ribeirinha após a construção de uma hidrelétrica que afeta a economia local, primordialmente movimentada pela pesca, fazendo com que os moradores busquem outras alternativas de sobrevivência. Desse modo, as mulheres marisqueiras e as ceramistas, atividades que são tradicionais e passadas de geração em geração, trabalham para complementar a renda da família. É uma história que mexe com os sentidos, numa narrativa e estilos tão claros quanto a água do mar, com reflexões e críticas sociais, que faz um resgate da cultura oral e expõe problemas históricos. - Maria Ferreira (Blogueira e estudante de Letras UNIFESP)

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    Maria Ferreira17/01/2017Resenhou um livro
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    As águas que correm

    Romance de estreia do jovem autor, Geferson Santana. Lito, o personagem principal é uma criança que mora em Beira Mar, um distrito da cidade de Maragogipe, no Recôncavo baiano. Filho de pescador, deseja seguir os mesmos passos do pai, que é contra por querer que o filho estude para ter uma profissão que dê dinheiro, para que seu destino não seja viver na mesma pobreza como ele e sua esposa vivem. A construção de uma usina hidrelétrica afetou muito a pesca na região e consequentemente a economia local, que é majoritariamente movimentada pela pescaria, de modo que os moradores tiveram que procurar por outras formas de trabalho. As mulheres, marisqueiras e ceramistas, atividades tradicionais, se veem na necessidade de executar trabalhos domésticos nas casas dos mais ricos, muitas vezes para ganhar menos do que o merecido. Sensível como Lito é, quando não está brincando com seus amigos, aproveita para escrever poesias. Curioso, faz perguntas e aprende muito com sua avó sobre a história da região em que vive, imerso numa realidade em que as religiões de matriz africana se fazem presentes na vida e nas narrativas. Nesse livro, o autor traz questões que são caras à cultura local, faz uma crítica social ao expor a realidade de pessoas que ainda são exploradas, chama atenção para o tema da sexualidade, que ainda é tabu nas comunidades ribeirinhas, de modo que o final deixa no ar uma curiosidade instigante. A narrativa segue uma linha de prosa poética com uma leveza que chega a mexer com os sentidos de quem lê. É como se sentíssemos o toque das águas, o cheiro das comidas ou aquela sensação de plenitude quando aprendemos algo novo. É uma leitura importante para abrir os olhos para o novo, para o outro e outras realidades. Fica a minha indicação de que mergulhem nesse Mar Grande.

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