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    O Ruído do Tempo -

    Julian Barnes

    Rocco
    2017
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9788532530486
    Português Brasileiro
    3.9
    103 avaliações
    Leram147Lendo5Querem178Relendo0Abandonos4Resenhas12
    Favoritos7Desejados178Avaliaram103

    Em seu primeiro romance desde O sentido de um fim, vencedor do Man Booker Prize, e após o sensível ensaio sobre o luto Altos voos e quedas livres, Julian Barnes resgata e ficcionaliza a trajetória do compositor russo Dmitri Shostakovitch para retomar questões recorrentes em sua obra como a memória e a verdade. A história tem início em 1937, na União Soviética, quando Shostakovich tem certeza de que será preso, exilado na Sibéria, talvez até executado, após escrever um de seus maiores concertos, Lady Macbeth de Mtsensk, que não agradou ao governo. A partir daí, Barnes constrói (ou desconstrói) uma breve biografia de um dos grandes nomes da música do século XX, um personagem complexo e contraditório, com uma narrativa extremamente humana sobre integridade, coragem e poder que celebra, acima de tudo, a liberdade artística. Aclamado pela crítica estrangeira, O ruído do tempo já se destaca como uma das incontestáveis obras-primas de Julian Barnes.

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    Resenhas (12)Ver mais
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    Caroline Gurgel21/03/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Excelente...

    Uma biografia meio romanceada de um dos maiores compositores do século XX, escrita por um autor consagrado com um Man Booker Prize. Foi assim que O Ruído do Tempo me foi apresentado. Prometia boa literatura e um pouco da vida de Shostakovich, uma deliciosa combinação. O autor escolheu alguns episódios - sempre envolvidos com o governo comunista soviético - da vida de Shostakovich para abordar, então não temos aqui uma biografia completa e linear, nem um estudo sobre a sua música. Aliás, a música é pouco citada. O Ruído do Tempo foca nos conflitos vividos pelo compositor, nas difíceis decisões que teve que tomar [ou que tomaram por ele] e que influenciaram completamente sua vida e carreira. Ficção e realidade se misturam quando entramos na mente de Shostakovich, nos seus pensamentos, nas suas angústias. O primeiro e mais importante episódio narrado aconteceu em 1936, quando Stálin foi assistir a aclamada ópera de Shostakovich, a Lady Macbeth de Mtensk. Dias depois, saiu no Pravda, principal jornal da época, que aquilo era "confusão ao invés de música". A obra foi censurada e Dmitri Shostakovich caiu em desgraça. É a partir daí que tudo se desenrola. A sensação que temos é a de que Shostakovich era tão bom, mas tão bom, que o Governo, vendo que ele fazia muito sucesso com o público, resolveu usá-lo a seu bel-prazer. Seria uma ótima propaganda. Vejam como valorizamos a música! E Shostakovich teve que dançar conforme a música. Era isso ou morrer! Covardia, fraqueza ou falta de opção? Sua vida ou sua integridade? Era um gênio, não um herói. Julian Barnes fala que ser covarde é mais complicado do que ser herói. Para ser herói basta uma morte simbólica, enquanto o covarde vive a angústia da mentira por toda uma vida. Será? Há ainda um outro ângulo, uma outra possibilidade a ser considerada. Alguns acreditam que Shostakovich era irônico. Fingia ser a favor do regime, mas expressava o que bem queria em suas sinfonias. Há quem reconheça essa rebeldia em sua obra. "O sarcasmo era perigoso para quem o empregava, identificável como linguagem do destruidor e do sabotador. Mas a ironia - talvez, às vezes, ele esperava - permitiria que conservasse o que valorizava, mesmo quando o ruído do tempo se tornava alto o bastante para quebrar vidraças. O que ele valorizava? Música, família, amor. Amor, família, música. A ordem de importância costumava variar. A ironia podia proteger a música? Desde que a música continuasse a ser uma linguagem secreta que permitia que contrabandeasse coisas pelos ouvidos errados. Mas não podia existir apenas como um código: às vezes era preciso dizer as coisas de forma direta. A ironia poderia proteger seus filhos? Maxim, na escola, com dez anos de idade, tinha sido obrigado a caluniar o pai publicamente numa prova de música. Nestas circunstâncias, de que servia a ironia para Galya e Maxim?" O livro me trouxe muitas reflexões acerca dos musicistas e suas reais relações com os governos tirânicos. Até onde o público sabe a verdade? Até que ponto um artista abandonaria sua música? Até que ponto somos íntegros quando a vida de sua família corre perigo? Fugir, como fez Stravinsky, por exemplo, é uma opção? Não bastasse tudo isso, a escrita de Barnes é fabulosa. Com uma narrativa não linear, daquelas que não se pode piscar, o autor me deixou estupefata, querendo ler tudo que já escrevera. Entrei pela música e saí deslumbrada com um livro sensacional! @historiasdepapel_

    13 curtidas

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    • 1 estrelas0%
    Julian Patrick Barnes profile picture

    Julian Patrick Barnes

    Julian Barnes nasceu em Leicester, estudou em Londres e em Oxford e, antes de se dedicar exclusivamente à escrita, foi lexicógrafo (no Dicionário Oxford), editor e crítico de cinema. Entre os seus romances contam-se <i>Metroland</i>, a estreia, em 1980, <i>Uma História do Mundo em Dez Capítulos e Meio</i>, <i>Amor Etc</i> e <i>Artur & Jorge</i>. Considerado um dos mais relevantes escritores britânicos do nosso tempo, Julian Barnes é também autor de vários romances policiais, assinados por Dan Kavanagh. A sua obra está traduzida em trinta idiomas e recebeu, entre outros, os prémios Somerset Maugham, o Geoffrey Faber Memorial, o E.M. Forster, o Fémina, o Médicis e o Shakespeare, além de ter sido por três vezes finalista do Booker, que acabou por ganhar em 2011, com o romance <i>The Sense of an Ending</i>.

    42 Livros
    46 Seguidores

    Julian Patrick Barnes