Science avec conscience (Points) -

    Edgar Morin

    Seuil
    1990
    319 páginas
    10h 38m
    ISBN-13: 9782020120883

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    Filino Carvalho Neto04/02/2017Resenhou um livro
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    Texto esclarecedor sobre a ciência

    O livro é um apanhado de vários textos escritos por Edgar Morin. Uma vez reunidos nessa obra, são divididos em duas partes - a primeira leva o título da obra (e é a de leitura mais fácil). A segunda, ocupa-se do conceito de "complexidade" e do método. Morin trata do pensamento científico e frequentemente recorre a Popper, Kuhn e Lakatos (menciona ainda Feyerabend) para questionar o que costumamos compreender como pensamento científico. Em vários momentos, contrapõe uma ciência "clássica" (pautada em leis, regularidade, impessoalidade) a uma mais contemporânea que leve em conta, justamente, elementos que são deixados de lado naquela outra concepção: sujeito, acaso, mudança etc. O autor chama a atenção de que não mais seria possível à ciência desprezar o ser individual posto que nele é que ocorrem experiências riquíssimas e que acarretariam, inclusive, o próprio desenvolvimento da reflexão científica. O maior exemplo disso é nas mutações que ocorrem nos organismos e seus reflexos a longo prazo. Também a noção de "ordem" é severamente questionada por Morin, seguindo a linha de reflexão acima. Para aqueles que pensam numa ciência fria, objetiva e pautada em leis uniformes, alerta o autor que se o universo assim funcionasse, não haveria possibilidade alguma de modificação (evolução) - isso só ocorre, justamente, por causa de mudanças e acasos que tantos cientistas teimam em deixar de lado. Numa interessante argumentação, assinala Morin que uma teoria não é pura e simplesmente um "reflexo" da realidade, mas uma construção do próprio homem sobre essa mesma realidade. Também é curioso quando o autor nos lembra que não devemos conceber a própria realidade como algo ordenado, tal como propunha uma visão "clássica"; afinal, a segunda lei da termodinâmica nos lembra a tendência de todas as coisas para a desordem e para o caos. Em vários momentos, o autor parece repetir argumentos que já citara em textos anteriores desse mesmo livro. No entanto, o que parece repetição serve para sedimentar ainda mais as reflexões e o leitor acaba por compreendê-las bastante bem. Para quem se questiona acerca da ciência, seu método e seu papel, é um prato cheio.

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