A Ameaça Sombria da continuidade a história que se iniciou em A Profecia do Pássaro de Fogo com os Avicen e Drakharin em sua guerra centenária e busca pelo lendário pássaro. Aqui, com a descoberta e ascensão de Echo com o poder da luz, todos os olhares estão em sua direção fazendo com que ela e seus amigos precisem se esconder até que bolem um novo plano e estejam recuperados da batalha.
Há uma grande indecisão no começo da história, já que nenhum dos lados pode ser realmente considerado amigável. Echo quer fazer algo, principalmente quando começa a sentir a presença sombria que a procura. Porém há muitas variáveis e ela fica grande parte do livro de mãos atadas e à mercê dos acontecimentos. Caius também está apático e o poderoso (ex) Príncipe Dragão perde praticamente todo o brilho aqui, apenas seguindo o fluxo dos movimentos de Echo.
“Echo havia aberto uma porta e deixado o pássaro de fogo entrar. Mas não conseguia parar de pensar no que tinha deixado sair.”
Algo que eu achei que iria incomodar aqui, mas que não aconteceu, foi o romance. Echo e Caius claramente tem algo, mas como agora ela está com a presença de Rose em si, não sabe ao certo se o que sente é real ou um reflexo dos sentimentos antigos da jovem. Quem também reaparece para dar uma balançada na situação é Rowan, o namorado e soldado Avicen. Mas esse possível triângulo não perdura e a jovem toma uma decisão rapidamente. O que isso não atrapalhou aqui, pode ser exatamente o problema do terceiro e último livro.
No fim de A Ameaça Sombria algo acontece que pode mudar muito o rumo da história. Porém essa mudança não é exatamente pra positivo, já que o fator motivacional se volta para o lado romântico, colocando a verdadeira ameaça em segundo plano, e isso nunca acaba bem, pelo menos no meu ponto de vista que não sou uma fã desse tipo de coisa interferindo na história.
Quanto ao desenrolar da narrativa, tudo é bem linear e não tem nenhuma grande reviravolta ou surpresa. Esse é o típico caso do segundo livro com encaixes e que não vem a acrescentar tanto assim na história. O único aspecto que ganha mais desenvolvimento são os mitos e elementos que constroem os pilares dessas duas sociedades, afinal ainda não sabíamos muito sobre elas, além do que foi explicado sobre a lenda principal do pássaro de fogo para que entendêssemos sua busca.
“No decorrer de poucos meses , ela tinha passado de órfã infeliz a arma de destruição em massa.”
O que mais me chama atenção nessa trilogia é a proposta de mundo desenvolvida, onde essas duas raças coexistem com os serem humanos em uma guerra sem fim. O fato de termos toda uma sociedade desenvolvida que caminha em paralelo com a nossa, mas é completamente oculta é algo muito legal e insere magia dentro do nosso mundo. Os Avicen e Drakharin também tem estruturas interessantíssimas que, acredito, mereciam ser melhor exploradas do que somente a linha rasa que a autora está conduzindo. É um daqueles casos onde o mundo é legal demais comparado a simplicidade do que está acima dele.
O terceiro livro, que deve chegar ao Brasil em 2018, precisa atar todas as pontas soltas e trazer algumas surpresas à história, para que ela consiga fazer o leitor se confrontar com algo inesperado. Confesso que não estou com as expectativas tão altas, mas gostaria de ser surpreendida, principalmente por todo o potencial.
A Trilogia Echo tem uma premissa muito legal, mas desenvolve pouco em cima do que lhe é dado e deve agradar mais os fãs de fantasias contemporâneas mais simples que querem conhecer universos paralelos e que envolvam seres diferentes e interessantes. Agora é torcer por encontrar algo arrebatador em The Savage Down para fechar essa história em alta.