Depois de descobrir que o pintor e fotógrafo da misteriosa associação ocultista Stella Sapiente é o sr. Pitman, o jornalista Robert Black parte para Boston afim de encontrá-lo.
Durante as violentas manifestações que estão acontecendo em Massachussets envolvendo a polícia, Black consegue contatar o pintor e acaba de hospedando em sua casa por alguns dias, investigando mais sobre a Stella Sapiente e aprendendo sobre rituais utilizados por ela.
Além de admirar a arte de Pitman, achando que este desenha monstros com o intuito de representar a realidade, Robert aceita participar de uma experiência (que ele acredita ser uma espécie de hipnose para falar com o seu eu superior) no subterrâneo do local... Mas mal sabe ele que o artista se comunica com monstros reais - e que esses é que estão conversando com Black - não sua consciência.
Esse volume foi interessante, não apenas por colocar o nosso protagonista em contato direto com outras criaturas, mas também para mudar os rumos da história: enquanto Pitman representa o personagem de "O Modelo de Pickman", conto de H. P. Lovecraft, a trama começa a se desenvolver em algo muito maior da obra do pai do horror cósmico quando Pitman sugere que o jornalista vá atrás de um escritor que pode ajudá-lo, Randall Carver; apesar de ser mais conhecido pelos mitos de Cthulhu, Lovecraft criou várias obras que foram chamadas de Ciclo dos Sonhos, onde boa parte das tramas são mostradas através dos olhos de Randolph Carter (em "Providence", Carver), que consegue acessar diversos outros lugares bizarros dentro do mundo dos sonhos.
Mais uma vez, os traços de Burrows são incríveis e a maneira como Moore decide recontar a obra lovecraftiana é ímpar, trazendo elementos cruciais do cosmicismo, personagens icônicos das histórias de Lovecraft, e ainda conseguindo demonstrar, quase com perfeição, os preconceitos que o outro colocava em todos os seus contos.
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